quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Você sabia que existe um museu de Relações Públicas em New York?



Este é endereço em New York:
The Museum of Public Relations
65 Broadway, Suite 899 / New York, NY 10006
voice 212.943.5858 / fax 212.430.3849

Enquanto não é possível visitar o museu, que tal passear virtualmente?
http://www.prmuseum.com/

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Marketing Cultural: das práticas à teoria, livro de Marcondes Neto

Reportagem do programa Bastidores com o autor, Prof. Manoel Marcondes Neto, alguns presentes ao lançamento do livro e flash do workshop do artista plástico Alberto Kaplan. Local: Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro. Data: 26/09/2002. Direção: Ricardo Léo.

Entrevista: Alexandre Azevedo Magalhães Costa

Titulação completa: Bacharel em Comunicação Social – Relações Públicas pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA (RJ); Bacharel em Turismo pela Faculdade da Cidade (RJ); Especialista em Administração Hoteleira pela UFBA / SENAC. Atualmente, é Relações Públicas na Companhia Hidro Elétrica do São Francisco – CHESF, em Recife (PE); Professor do curso de Turismo da Faculdade Frassinetti do Recife – FAFIRE e professor em curso de pós-graduação da Escola Superior de Relações Públicas – Esurp.

1. Qual seu conceito de Comunicação Organizacional?
No meu entendimento, Comunicação Organizacional é um campo de estudo e um conceito em contínuo desenvolvimento. Pode ser considerada uma atividade composta por múltiplos processos e ações das diversas modalidades de comunicação (segundo Kunsch: institucional, mercadológica e administrativa) desenvolvidas, de maneira integrada, no âmbito das mais variadas organizações.

2. Existiria, em sua opinião, uma concepção brasileira sobre Comunicação Organizacional? Se sim, quais seriam algumas características específicas? Se não, o que faltaria para isto?
Estamos caminhando para isso. Hoje, vários pesquisadores contribuem para a construção dessa concepção brasileira e a Abrapcorp tem sido um fórum permanente para essa discussão. O conceito de Comunicação Organizacional, no Brasil, está amplamente atrelado às Relações Públicas e suas teorias.

3. Quais os indicadores mais relevantes para se considerar a comunicação como efetiva e excelente numa organização?
Existem vários indicadores e podemos destacar alguns: participar das definições estratégicas da organização; promover a conciliação entre os objetivos organizacionais e as expectativas dos públicos; valorização da comunicação como fonte de informação e atividade estratégica; construção de relacionamentos sólidos; entre outros.

4. A comunicação vem sendo vista como uma área híbrida. Caso concorde, quais seriam outros conhecimentos que deveriam ser buscados por pesquisadores e profissionais? Se discorda, por quê?
A Comunicação Organizacional possui uma natureza híbrida de conhecimentos, ou seja, interfaces com os mais diversos campos das ciências: antropologia, filosofia, sociologia, administração, marketing, entre outros. Podemos destacar a relação clara com a Administração, principalmente no que diz respeito à elaboração de políticas, visão, missão e valores, ou seja, das decisões estratégicas da organização.

5. Que faceta(s) da comunicação organizacional contemporânea você consideraria como campo(s) promissor(es) de estudo?
Por ser uma atividade em permanente desenvolvimento, a Comunicação Organizacional possui, além das áreas tradicionais, vários campos promissores de estudo, entre eles: hospitalidade, sustentabilidade, ética, planejamento estratégico, mídias sociais e interações digitais, relações de gênero e pró-equidade.

6. Qual foi sua última publicação (livro, capítulo, artigo, resumo de palestra, resenha - impressa ou digital, independente de data)? Cite, por favor, título, local e temática central:
Artigo: Relações Públicas e Hotelaria. In: GALHARDO, Thales. Arrecifes dos Navios, Recife, 2009. O texto trata da relação entre a prática profissional de Relações Públicas e as atividades hoteleiras (o artigo também está publicado no site www.mundorp.com.br)

7. Que livro você está lendo agora? Qual sua motivação na leitura?
Vários de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, entre eles:
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial: teoria e prática.
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial: políticas e estratégias.
KUNSCH, Margarida. Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas.
KUNSCH, Margarida. Obtendo Resultados com Relações Públicas. (relendo)
Motivação: preparação do conteúdo das aulas da disciplina Assessoria de Relações Públicas, no curso de pós-graduação em Assessoria de Comunicação na Esurp.

8. Por favor, sugira um canal digital de conhecimento interessante em comunicação organizacional e relações públicas (portal, blog, lista de discussão, newsletter eletrônica, comunidade em redes sociais, micro-blogging, entre outros):
Há vários canais digitais interessantes hoje no Brasil. Posso sugerir a consulta e leitura a alguns deles: Portal Mundo RP (www.mundorp.com.br); Horizonte RP (http://horizonterp.ning.com); Portal de Relações Públicas (www.portal-rp.com.br); Clube do RP de Pernambuco (http://clubedorp.blogspot.com ou http://clubedorp.ning.com); Blog Innova Comunicação (http://innovacomunicacao.blogspot.com); Blog RPalavreando – Carolina Terra (http://rpalavreando.blogspot.com). Além dos sites da ABRAPCORP e INTERCOM.

9. Você tem participado dos congressos da Associação? Se sim, o que tem lhe agradado mais? O que pode ser melhorado - estrutural ou conceitualmente?
Participei dos dois últimos: BH e São Paulo.
O que mais agrada: a possibilidade de troca de experiências acadêmicas e profissionais; os convidados internacionais; a construção de um conceito nacional de Comunicação Organizacional e áreas afins.
Sugestões: Reestruturação dos GTs, a fim de equilibrar o número de participantes. Menor concentração das atividades em poucos dias, isto é, em vez de dois dias e meio, as atividades poderiam acontecer em três dias completos para evitar o cansaço durante as últimas atividades (p.ex.: o Fórum de Pesquisadores, à noite); buscar novas áreas de interface (ex.: Hospitalidade). Conceitualmente, o evento está bom.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Bíblia do Marketing Digital



Tudo o que você queria saber sobre marketing e publicidade na internet e não tinha a quem perguntar.
Edição: 1 | Ano: 2009
Editora
Novatec

O consultor e palestrante Cláudio Torres lança pela Novatec Editora o livro A Bíblia do Marketing Digital, um guia prático e abrangente que ensina o leitor a entender e a utilizar a Internet para o crescimento de seus negócios, e também a criar ações de marketing, comunicação e publicidade on-line, inserindo-se definitivamente no Marketing Digital.

A Internet tem crescido muito no Brasil nos últimos anos, e hoje, usar a Internet nos negócios não é mais uma questão de escolha, é uma questão de sobrevivência, embora muitas empresas ainda resistam a esta tendência. E o livro A Bíblia do Marketing Digital pretende justamente mudar este comportamento, mostrando às empresas, empresários e agências de publicidade a importância do como e do por que utilizar a Internet em seus negócios e estratégias.

O autor, Cláudio Torres, reuniu e organizou neste livro os resultados de sua experiência profissional nesta área, e procura desmistificar o uso da Internet em ações de marketing e publicidade voltada aos negócios, trazendo explicações graduais em cada capítulo, desde os conceitos básicos da Internet, incluindo a revolução da web 2.0 com os blogs, mídias e redes sociais, e trabalhando uma a uma as principais estratégias desta atuação.

Em A Bíblia do Marketing Digital o leitor encontrará orientações para entender quem é o consumidor que está on-line, como ele se comporta e quais as ferramentas on-line que empresas ou agências podem utilizar em suas atividades de marketing e publicidade e também como transmitir sua mensagem e atingir esse consumidor.

Sobre o Autor

Cláudio Torres é graduado em Engenheira Eletrônica pelo ITA, tem Mestrado em Sistemas pela USP, e fez pós-graduação em Marketing na Suécia. Atua como consultor e palestrante em marketing digital e mídias sociais, e desenvolve campanhas publicitárias na Internet para várias agências de publicidade. É Editor de vários blogs e portais, como o www.claudiotorres.com.br e o www.enochatos.com.br. É sócio de diversos projetos na Internet como a www.infobot.com.br, empresa de consultoria em marketing digital, o www.postexpress.com.br, plataforma de monitoramento de mídias e redes sociais, e o www.brichos.com.br, portal de entretenimento infantil da marca Brichos.

sábado, 5 de setembro de 2009

Falar ou não falar com a imprensa?

Sou um empresário de comunicação que atua há muitos anos nas atividades de Relações Públicas e Assessoria de Imprensa. Sou sempre o primeiro a sair em defesa da liberdade de expressão e da importância de um jornalismo livre e sem amarras. Mas o que fazer quando aparecem situações inesperadas e fora dos manuais do jornalismo das quais todo o profissional, pelo menos uma vez na vida, tem de lidar?

Tive recentemente uma reunião com o presidente de uma grande companhia (sem nomes, por favor) que sofreu o assédio da imprensa em uma situação inusitada. A empresa não havia feito nada de errado, estava absolutamente em dia com as suas obrigações. Mesmo com todos os meus (bons) argumentos e histórico de empresas que haviam passado pelo mesmo constrangimento não houve jeito. Ele estava disposto a agüentar a pressão e esperar para que o assunto desaparecesse (o que aconteceu dias depois). E me contou uma história.

Um dia ele recebeu a ligação de um grande amigo, dono de uma construtora. Disse-lhe que havia adquirido um grande terreno em S. Paulo e que o mesmo receberia uma incorporação em formato de torres residenciais. Tomou todas as precauções. Entrou em contato com a prefeitura de S. Paulo, pediu indicação para o melhor cartógrafo para que ele realizasse todos os estudos de demarcação do terreno, tudo absolutamente de acordo com a lei e com as regras de uma ocupação responsável, com respeito ao ambiente, conforme sempre fizera.

Ao finalizar a construção foi informado de que a incorporação estava “errada” – que uma área nativa de 200 metros quadrados havia sido delimitada de maneira irregular. O empresário mostrou toda a documentação aprovada, que havia sido realizada por cartógrafo indicado e autorizado por eles. Alguém, evidentemente, queria um “empurrão” para aprovar o “habite-se”.

A situação começou a sair do controle quando um dos compradores, justamente uma consumidora inadimplente – que havia pagado apenas três prestações iniciais – que foi à imprensa e reclamou que a incorporadora havia lhe enganado, que não podia mudar-se e que não tinha para onde ir. O empresário recebeu uma ligação de um programa “jornalístico” de uma grande rede (formato que combina repórteres improvisados e engraçadinhos com políticos e personalidades) que gostaria de lhe entrevistar para “esclarecer” o caso.

O empresário ligou para o presidente desta empresa que me contou a história. Pediu-lhe para perguntar o que fazia:

- Eu os atendo ou não?, perguntou o incorporador.

- De forma alguma, respondeu o executivo. Eles não querem esclarecer nada. Querem explorar o assunto, querem audiência.

- Mas eu não tenho o que temer!, retorquiu. Tenho tudo a meu favor. Só não poderei dizer que há alguém na Prefeitura que quer cobrar para me dar o “habite-se”, mesmo tendo eu feito tudo direito, dentro dos conformes …

- Não recomendo.

- Você me disse que conhece a direção da TV. Fale com eles, explique-lhes a verdadeira situação …

- Desculpe, mas o melhor é você não os atender. De nada adiantará falar com eles.

- Então está bem. Tenho outra idéia. Estudei com o apresentador em uma faculdade de Engenharia, quando ele lá esteve por um ano. Me pareceu ser um cara legal, decente. Vou ligar para ele e explicar-lhe. Tenho certeza que ele entenderá e produzirá uma matéria equibilibrada …

- Não faça isso. Você se arrependerá.

A conversa terminou. O executivo achou que ele aceitaria a sua recomendação. Dias depois, soube o que aconteceu. O incorporador, de fato, ligou para um dos apresentadores, que foi super receptivo, entendeu a questão e deu-lhe uma idéia. Ele o receberia na redação do programa na TV onde poderia explicar toda a situação.

No dia marcado, três ou quatro horas antes do encontro agendado, a secretária do incorporador, em pânico, lhe avisa que a “reportagem do programa” estava na recepção da empresa. Imediatamente, o incorporador chama o seu sócio, um executivo mais calmo e sem envolvimento emocional com o problema, e combina que ele atenderia a reportagem.

Ao recebê-los surpreende-se com a equipe de reportagem em tom persecutório ao lado daquela compradora de um dos imóveis, com um bebê no colo, em prantos e acusações contra empresários desonestos e desalmados etc.

O resultado foi um desastre. Em termos de imagem da incorporadora, em termos pessoais (o sócio que atendeu à reportagem teve de ser internado, por problemas nervosos).

Volto à reunião com o executivo. No meio da conversa argüi, em tom de blague, que ele deveria ter indicado a minha agência para administrar a crise. Mas é claro que saí da reunião incomodado com a história que havia acabo de ouvir.

Continuo firme na convicção de que chamar especialistas de uma agência de RP é o melhor procedimento para administrar graves crise de imagem como a da incorporadora. Há maneiras e maneiras de atender à imprensa – desde comunicados e “notas” à outras ferramentas.

Há 30 anos acompanho e administro o calvário de algumas delas em crises de comunicação. Todas as vezes me espanto com o despreparo de alguns repórteres e com a clara (má) intenção de destilar alguma raiva contra o “capitalismo selvagem” representada por algumas grandes empresas (não mencionarei aqui a grande maioria jornalística que exerce um trabalho equilibrado e que tem a sua importância e relevância reconhecida pela sociedade).

Todo o RP passa por situações muito difíceis, pois fica no meio das pressões – entre a imprensa e os diretores de uma empresa, que acham que basta falar a verdade (que muitas vezes não pode ser dita na sua completude, quando há tentativa de suborno envolvida) para que a imprensa entenda. E não compreendem quando tudo sai o oposto do que imaginavam.

Como explicar para estes empresários sobre programas que se apresentam como “jornalísticos” quando na verdade são comediantes da tragédia alheia, justiceiros travestis, arautos da verdade? Que jornalismo é esse?

Ora, dirão, desde que a imprensa é imprensa – leiam “Bel Ami”, de Guy de Maupassant para entender o que estou querendo dizer – há a exploração do contraditório, do exagero, da amplificação da tragédia em cujos elementos há a adição de repórteres jovens e justiceiros com editores céticos e interessados tão somente na finalização de seus materiais.
O que você faria em uma situação como essa?

Ricardo Braga

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Política na internet e o Blog do Planalto





Alexandre Inagaki

Nove meses depois de ser idealizado, Blog do Planalto estreia sem espaço para comentários.


A bem-sucedida campanha eleitoral de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos fez com que políticos de todo o mundo prestassem a devida atenção ao fato de que a internet, e em especial as mídias sociais, adquirem um papel cada vez mais relevante na formação de opiniões. Não à toa, é visível o número cada vez maior de políticos que criaram blogs e perfis em redes sociais como o Twitter, a ponto da Bia Kunze ter ironizado o hype atual com uma comparação irretocável: ‘Twitter não é paraíso fiscal, mas muitos políticos estão abrindo conta aqui?’.

Embora estejamos a um ano das próximas eleições, a internet brasileira anda movimentada como nunca na seara política. Recordo, por exemplo, os recentes escândalos protagonizados pelo presidente do Senado José Sarney, que motivaram a criação do movimento #ForaSarney no Twitter. Com resultados pífios, como era de se esperar de uma ‘revolução com a bunda no sofá’. A recente criação do polêmico Petrobras Fatos e Dados, blog no qual a estatal petrolífera divulgou perguntas que haviam lhe sido enviadas por jornalistas de veículos como O Globo e a Folha de S. Paulo antes da publicação das matérias, também acirrou discussões. De um lado, há os que citaram um possível ‘fim da imprensa manipuladora’ em meio ao ‘desespero da mídia’; de outro, os que falaram na iniciativa da Petrobras como ‘manobra política tática’ e ‘acossamento’ oriundo de um suposto ‘aparelhamento petista’.

Em meio a esse cenário, eis que justamente no Blog Day, celebrado dia 31 de agosto, entrou no ar o Blog do Planalto, novo canal oficial de comunicação da Presidência da República. O site, que segue as pegadas do blog da Casa Branca do governo Obama, já vinha sido atualizado desde abril, mas só hoje, após diversas avaliações internas e ajustes de layouts e textos, foi enfim aberto para a visitação pública, com direito a um vídeo em que Lula em pessoa dá as boas-vindas a todos da sociedade brasileira que ‘viajam na internet’.

O Blog do Planalto, que estreia oficialmente nove meses após sua idealização, entrou no ar com uma respeitável carga inicial de conteúdo, incluindo uma entrevista exclusiva com Maria da Penha Maia Fernandes, biofarmacêutica vítima de violência doméstica que inspirou a criação da Lei 11.340 (que legisla sobre agressões contra mulheres), e um singelo vídeo no qual um garoto interrompe uma conversa entre Lula e Regina Casé a fim de perguntar quantos dedos o presidente da República tem.

A equipe responsável pelo projeto é formada por diversos profissionais experientes na área de blogs, a começar pelo seu coordenador, o jornalista e ex-assessor de imprensa do Greenpeace Jorge Henrique Cordeiro, do blog O Escriba. O webdesigner é Daniel Pádua, que em 2002 tornou-se um dos primeiros brasileiros a ganhar destaque internacional na blogosfera com a criação do BlogChalking, ferramenta de localização geográfica de blogueiros. A equipe conta ainda com Daniel Carvalho Duende, que coordenava a área em português do Global Voices Online, Maiana Diniz, que já trabalhava na Secretaria de Imprensa do governo, e o programador Marcos Machado, da Empresa Brasil de Comunicação.

Espero que a Secretaria de Comunicação Social do Planalto perceba o quanto a ausência de uma área de comentários ou, pelo menos, a implementação de um fórum de discussões ou de um Ning faz falta. Afinal de contas, a maior razão de ser de um blog é o fomento a debates e conversações, que fazem com que a comunicação não venha em mão única, como na mídia tradicional. Por enquanto, há apenas uma área para a inserção de pingbacks e trackbacks oriundos de outros blogs.

Até compreendo a inexistência de um espaço de comentários. Afinal de contas, o grande dilema em ações envolvendo mídias sociais é o temor do recebimento de críticas negativas que invariavelmente pipocam aqui e acolá. Porém, é importante ressaltar que esses feedbacks sempre existiram e sempre existirão; qualquer empresa ou instituição como o Governo Federal deve ter a consciência de que unanimidades são utópicas. Torço para que os responsáveis pela implementação do Blog do Planalto percebam isso e permitam a criação de um espaço para comentários, ainda que sejam previamente moderados, a fim de propiciar um uso mais democrático e interativo do novo espaço.

Do mesmo modo, espero que seja criado em breve o Twitter oficial do Planalto, seguindo os exemplos da Presidência de Portugal e da Casa Branca norte-americana. E que ele seja utilizado da forma apropriada, levando-se em consideração que o Twitter é uma ferramenta de interação visualizada por um plenário repleto de pessoas críticas que anseiam por diálogos e usam o site como meio para externar reclamações e cobrar ações e iniciativas; Xuxa Meneghel e Aloizio Mercadante descobriram, ainda que a fórceps e à sua revelia, como funciona o Twitter.

Por certo ainda há muito a ser aprimorado no Blog do Planalto. Mas a iniciativa é, sem dúvida nenhuma, louvável. É como bem resumiu Tiago Casagrande no post no qual comentou o blog da Petrobras:

‘MAIS INFORMAÇÃO = BOM;
qualquer tentativa de controle da informação = fracasso instantâneo ou iminente.’

Por fim, torço para que o Blog do Planalto represente uma efetiva proximidade do governo com a sociedade brasileira, escapando do risco de se tornar uma mera ferramenta com interesses eleitoreiros. Os responsáveis pelo projeto certamente estão cientes de que paus e pedras serão lançados, sem a menor piedade, pelos opositores ao governo caso encontrem uma vírgula ou um acento no lugar errado. Sintomas, no mais, de tempos em que discussões políticas lamentavelmente se assemelham mais a bate-bocas de torcidas organizadas de futebol ou debates acalorados em diretórios acadêmicos promovidos por xiitas e xaatos. Um cenário empobrecedor, que me faz recordar das palavras de Tiago Dória acerca destes novos tempos na comunicação:

‘Podemos ficar acostumados a ouvir somente o que gostamos (posso ouvir só a música que gostei), a ler somente o que ratifica a nossa visão de mundo (leio apenas matérias avulsas), e isso faz fechar nossa visão de mundo. Lemos, ouvimos e assistimos apenas àquilo que reforça o que já acreditamos. Polariza um pouco as coisas.’

Do naufrágio ao pós-naugrágico- Comunicação interna, crises e valores

A literatura que discursa sobre o papel da comunicação interna na gestão de crise é vasta e de grande utilidade, seja para analisar o tema desde o ponto de vista teórico, seja para obter recomendações aplicadas na vida real. Exitosas ou não, de todos os casos é possível extrair um aprendizado, desde que haja um estudo detalhado e envolto em um espírito crítico e autocrítico.

Além disso, cresce em grande escala o número de documentos que expõem a relação entre a crise e os valores corporativos e pessoais de quem precisa enfrentá-la. Em geral, pretende-se mostrar nesses textos a posição privilegiada em que se encontram, diante de uma crise, as organizações e pessoas que apresentam uma história arraigadas a fortes valores e estrutura, sem nunca haver renunciado a sua identidade.

Acima de qualquer argumento, conquistar uma reputação de confiança permite enfrentar cenários turbulentos com um melhor desempenho.


Comandantes ou magos corporativos: os gestores de confiança

É preciso dar razão a Stephen M.R. Covey na escolha do título de um dos seus livros mais lidos: “Fator confiança: o valor que muda tudo”. É certo dizer que a confiança não só é a variável que reduz a complexidade organizacional, como também é um fator insubstituível. A tecnologia pode ser remediada, assim como os recursos financeiros e logísticos, mas a confiança não. Isso porque a confiança é questão de história, de trajetória. Só por meio de um caminho percorrido é possível fazer com que as pessoas incorporem como próprias os objetivos da empresa, ao mesmo tempo em que a empresa tome como suas as necessidades das pessoas.

No fim das contas, sempre vamos ao encontro da sabedoria dos antigos pensadores gregos, como a de Covey, ou como a que se vê em “Se Harry Potter dirigisse a General Electric”, de Tom Morris. Sem credibilidade enraizada em valores é extremamente difícil sobreviver em tempos de crise, pois sem credibilidade é impossível gerar confiança.

Além disso, alguns desses textos destacam que não há uma cultura fundamentada em princípios sólidos, com uma comunicação interna que apensas discursa sobre seus valores. Há a necessidade de que a organização viva seu valores e que os transmita de forma persuasiva, sem limitar-se a pontuá-los em uma notificação. É preciso mostrar os valores como bens desejáveis, apetecíveis àqueles que precisam levar adiante os esforços necessários para transformar os valores da empresa em fatos incontestáveis.

É possível também encontrar muitos autores que traçam, em suas obras, um paralelo entre as análises filosóficas e sociológicas de sociedades que se caracterizam por valores débeis e o êxito daquelas organizações que, mesmo contra a maré instituída pela moda, insistem em apostar na comunicação interna para desenvolver uma cultura profissional sólida.


Crise e valores: o lado negro da força

As relações entre a crise, os valores e a comunicação interna vêm sendo analisadas de diferentes pontos de vista, todos eles necessários. Parafraseando Star Wars, o aspecto menos considerado refere-se ao lado negro da força, já que os valores das pessoas e das organizações estão suscetíveis a mudanças durante uma crise.

Por mais estranho ou paradoxal que pareça, G.K Chesterton considerava que a mais bela visão de Robson Crusoé se dava no momento em que acontecia a recontagem dos restos do naufrágio: “O melhor do livro está na lista de restos salvos do naufrágio. O mais lindo poema é apenas um inventário”. A crise não deixa ninguém ileso, seja qual for a sua natureza. É ingênuo pensar que tudo voltou ao normal porque o nível de vendas voltou a subir ou porque as perdas foram minimizadas ou porque ninguém mais comenta sobre os colegas demitidos meses atrás.

Assim como o ocorrido a Ulisses em seu retorno a Ítaca, as asperezas da vida deixam cicatrizes. Isoladas, muitas vezes não são notadas, mas quando juntas, tornam-se as marcas permanentes pelas quais somos reconhecidos. O que acontece às pessoas acontece também com as organizações. As crises desafiam a todos e, como acontece após as tempestades em alto mar, quando o vento e as ondas se acalmam, chega o momento de avaliar os danos e repará-los. Só assim é possível seguir em frente, voltar a um ponto de equilíbrio, unindo o que se separou, mesmo que esse reparo seja precário e provisório, até que a cicatriz que fechará definitivamente a ferida aconteça.


Logo após naufrágio, a recontagem

Os departamentos de Comunicação Interna são os mais preparados para levar adiante, junto com as áreas de Recursos Humanos, a mensuração das perdas e para listar as reformas necessárias, fixando prioridades, meios e prazos.

Reconstruir a cultura da organização só é possível caso se assuma, pelo menos como hipótese, que é necessário questionar sobre o que foi desconstruído o que se entende, etimologicamente, pela palavra cultura: o verbo colere, origem de “cultura, “cultivo”, “culto”, palavras que trazem em comum “cuidar” nas entrelinhas.

O cuidado é, por meio de uma visão global, panorâmica e abrangente dos efeitos, uma das virtudes das mais importantes em um líder após o naufrágio. E a comunicação interna ouve com atenção os ecos do acontecido para assim tecer uma solução. Disse Nietzsche: “encontrar alguém pra fazer uma festa, não é o mais difícil. Difícil mesmo é encontrar alguém que realmente se divirta com ela”. Levando essas palavras em consideração, podemos dizer que não há grandes dificuldades em se salvar de um naufrágio, mas sim sobreviver aos inúmeros naufrágios que sofremos na vida. E somente o cuidado mútuo é que tornará possível realizar os pequenos milagres da vida cotidiana.


Natalia Hopkins é diretora da AB Communicaciones.