sexta-feira, 23 de abril de 2010

O brasileiro cada vez mais digital

Estamos passando por uma revolução que não faz barulho.
Por Cezar Calligaris

" A cada dia surgem novidades que mudam o comportamento de uso dos meios digitais. Pode ser um novo aparelho, um aplicativo, uma nova rede social. São pequenas revoluções.

Nenhuma dessas novidades, porém, é tão importante quanto o processo que estamos vivendo no Brasil. Estamos passando por uma revolução muito maior, mas que não faz barulho.

Que revolução é essa? O brasileiro está se tornando cada vez mais digital. Não só o da classe A, mas também da B, da C e até parte da D. Para o artigo não ficar enorme, não vou colocar aqui números precisos e fontes dos dados, mas são públicos e podem ser pesquisados com facilidade (abril/2010):

Cada vez mais brasileiros acessam a web (cerca de 70 milhões de pessoas)
Cada vez mais brasileiros têm celular (cerca de 180 milhões de linhas)
Os brasileiros usam cada vez mais os serviços online. Receita Federal e Ministério da Educação estão entre os sites mais acessados
Quem diria que os brasileiros seriam por vários meses os maiores usuários de internet do mundo em horas navegadas?
Ande de metrô ou trem. Você certamente vai ficar impressionado, como eu fiquei, com a quantidade de gente ouvindo mp3 em seus players ou celulares. De onde eles baixam as músicas? Como fazem a transferência?
O brasileiro adora tecnologia. Quem diria, por exemplo, que bluetooth seria um dia argumento de venda para um carro?
O e-commerce cresce na casa dos dois dígitos. Os players “populares” já abriram seus canais de e-commerce
Os gráficos de acesso dos mídia kits dos portais não trazem mais as classes A e B como as dominantes. Os gráficos de idade também não são tão dominados pelos mais jovens.
Mais pessoas estão tendo acesso a canais de informação que nunca utilizaram
Mais pessoas estão se tornando formadoras de opinião, influenciadoras ou geradoras de conteúdo
O que tudo isso significa? Além de uma grande revolução, uma boa e uma má notícia para você.

Começando com a má, mais uma vez você terá que aprender muito. Como falar com esse público, que equipamentos e canais ele usa. A que hora do dia e com que linguagem. Não é um simples canal em uma rede social que vai resolver isso: tem muito trabalho de pesquisa e planejamento a ser feito aqui.

A boa notícia é que a revolução digital é um processo que não tem mais volta. Se você investiu nesse meio, tem um futuro promissor pela frente, seja como empresário ou empregado.

Para finalizar, uma dose de realidade: mesmo com uma revolução digital em curso, menos da metade da população brasileira está ligada na internet. Mas o nível atual já nos dá boas esperanças de um futuro com consumidores e sobretudo pessoas mais informadas. [Webinsider]"

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mary a Max trailer HD




Essa animação é genial!!!
Fim de semana passado, vi esta animação australiana e ganhadora de vários prêmios.
A estória é sobre a amizade de um homem de 40 e poucos anos e uma menina de 8 anos.
Por mais improvável que pareça, essa amizade se consolidou e ajudou a ambos entederem melhor sua vidas.

Afeto, carinho, ingenuidade e muita soliedariedade é o que vai permeando essa relação dos dois. A genialidade dos produtores mostra, como se pode fazer uma animação, sobre um tema tão profundo, pois além da amizade exite uma doença que é abordada.

A amizade é tão real que, como todas, passa por momentos difíceis e rompimentos, pois,todos nós temos nossas limitações e idiossincrasias.

Não quero me estender, para não atrapalhar as surpresas, fica aqui minha dica, para uma excelente reflexão sobre a diferença, a amizade verdadeira e o respeito ao próximo. Afinal todos nós desejamos isso.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Marcas que fizeram #fail nas mídias sociais

Ricardo de Paula
Fonte:
http://www.midiassociais.net/2010/03/marcas-que-fizeram-fail-nas-midias-sociais/

"Grandes marcas estão cada vez mais aderindo às mídias sociais, e por vezes estão tropeçando na dinâmica do relacionamento com os consumidores nesses novos meios de comunicação. Existem vários casos de falta de bom senso e até erros primários que custaram muito caro gerando danos à imagem da marca e um sentimento negativo por parte dos usuários. Esse post vai ser atualizado sempre que um caso desses ocorrer, dizem que se aprende com os erros… vamos acompanhar.

22/03/2010
O mais recente caso é o da Nestlé, que deve ter deixado a cargo de um estagiário irresponsável (pelo menos no dia) o gerenciamento de sua página de fãs no Facebook.

A Nestlé vem sofrendo fortes ataques do Greepeace direcionados ao seu chocolate “Kit Kat”. A ONG acusa a empresa (fornecedores) de destruir florestas tropicais da Indonésia para extrair o óleo de dendê usado na fabricação do chocolate.





O Greenpeace fez uma sátira alterando o logo do chocolate, em alusão a destruição da floresta e publicou um video que faz referência a devastação do habitat dos Orangotangos que mostra um trabalhador abrindo um pacote do chocolate e comendo um dedo de orangotango sem perceber. A Nestlé foi atrás do Google para tentar tirar o vídeo do YouTube alegando violações de direitos autorais por causa da alteração do logo. Porém de nada adiaram os esforços da empresa, o video já havia se tornado viral.



Na página do Facebook, que tem mais de 90.000 fãs até o momento, quem está gerenciando a conta no site de relacionamento está tendo uma abordagem hostil com os consumidores e potenciais clientes.

Na página diz que a Nestlé agradece os comentários, mas “por favor, não poste usando uma versão alterada de qualquer um dos nossos logotipos como sua foto de perfil – eles serão excluídos.” Insinuando que os logos são propriedade intelectual da Nestlé e não podem ser alterados. A Nestlé também excluiu comentários negativos de muitas pessoas e respondeu de forma padronizada a outras, mostrando total desprezo ao pensamento de seus consumidores. A reação dos usuários foi imediata, criticando a censura e dizendo frases como “não nos diga o que fazer”.




A Nestlé está nos mostrando como amplificar uma crise através das mídias sociais, deixando transparecer um pensamento antigo e controlador. Típico das velhas mídias.

O assunto está sendo discutido em toda a esfera das mídias sociais e vem ganhando força. Além das redes sociais como o Facebook, o assunto vem gerando milhares de tweets e posts em blogs, e deverá arrebanhar um número de pessoas muito grande que serão difusoras e multiplicadoras desse movimento. A Nestlé não vai poder ignorar isso."

sexta-feira, 19 de março de 2010

Social Media Brasil 2009

Check out this SlideShare Presentation:

Blogosfera Comenta: “Consumidoras viram modelos em anúncios de lingerie”, matéria da BBC Brasil



Publicado por rpnamoda em 16/03/2010

Com a finalidade de promover o debate e descobrir a opinião dos blogueiros sobre os assuntos principais deste blog (Moda e Comunicação) resolvi indicar alguns temas para os amigos da blogosfera comentar.

A brincadeira funciona assim: Eu envio uma matéria/case/artigo que tem a ver com moda e um blogueiro comentará sempre puxando gancho para a nossa área de atuação (que pode ser RP, Marketing ou jornalismo).

Para estrear esta seção foram convidados os profissionais de comunicação Márcia Ceschini do Oras Blog e Christiano Vital do RP Criativo. Eles comentaram a matéria “Consumidoras viram modelos em anúncios de lingerie” pauta da BBC Brasil que foi divulgada na Folha Online e no Portal UOL. Os comentários deles foram super bacanas. A Márcia puxou gancho para o Branding e o Christiano enfatizou o relacionamento entre empresa e público-alvo. As visões destes dois profissionais que atuam em organizações diferentes se complementaram durante a análise do case.

Segue o texto da matéria na íntegra:

Uma grife de lingerie britânica lançou uma campanha publicitária feita inteiramente com consumidoras da marca posando de calcinha e sutiã.

A marca, Bravíssimo, conhecida por atender à fatia de mercado com seios maiores, já realiza a campanha pelo terceiro ano consecutivo.

“Enviamos um e-mail para nossas consumidoras, convidando-as a participar da campanha”, diz a empresa. “Seiscentas mulheres se candidataram. Entre elas, selecionamos 40 para um teste e, ao final, escolhemos cinco”.

A campanha promove “hábitos saudáveis” em relação ao corpo, mostrando que “mulheres normais” podem ter uma aparência “fantástica”.

“As mulheres que escolhemos são lindas, e tem uma beleza ‘alcançável’”, diz a Bravíssimo.

Entre as escolhidas, todas com idade entre 21 e 34 anos, há estudantes, uma produtora de internet e até uma analista sênior de negócios.

Comentário da RP e blogueira Márcia Ceschini

A proposta da Bravíssimo é interessante e vai de encontro às novas propostas de comunicação de marca, que hoje em dia querem uma proximidade maior com seus consumidores. Além disso, a marca inova, pois busca exemplares de consumidoras em vários segmentos de atuação e valoriza suas formas de mulher real.

Essa “humanização” da comunicação se dá em um momento em que o fenômeno das mídias sociais deu voz ao consumidor. Hoje em dia ele não só exige ser bem atendido, como diz aos quatro ventos on e off line, suas impressões sobre marca/produto que ama ou odeia.

Empresas que investem em profissionais de Relações Públicas para atuar na equipe de branding (gerenciamento de marca), só tendem a ganhar na criação e manutenção de um diálogo mais próximo e positivo com seu consumidor.

Bravo, Bravíssimo.!


Comentário do RP e blogueiro Christiano Vital

Esse case é uma ação excepcional de comunicação! A Bravíssimo, envolve o consumidor (público-alvo) com sua marca de maneira criativa e ousada. Acredito que não é apenas uma campanha publicitária, mais também, uma ação de relacionamento com as consumidoras, tanto para aquelas que participaram da ação, quanto e principalmente, para as consumidoras “expectadoras”, pois em sua comunicação a empresa trás as mulheres para perto de seu produto, dizendo que é possível a mulher sair do seu anonimato e evidenciar sua beleza.

O conceito de “hábitos saudáveis” em relação ao corpo que a campanha trás consigo, demonstra atenção e preocupação da empresa com as mulheres.

Vejam só o que as consumidoras comentaram sobre o vídeo da campanha no site da Bravíssimo:

“Isto é algo realmente fantástico!”


“O novo anúncio parece fantástico, muito elegante. As meninas olham simplesmente deslumbrante e as lingeries são lindas, bem feito Bravissimo!”


“MARAVILHOSO! I love it. E eu amo finalmente ter um lugar para comprar um sutiã!”

Tocar na necessidade do consumidor é simplesmente conquistá-lo. A Bravíssimo simplesmente fez isso! Esse é o principal motivo por essa campanha ter sucesso e estar em sua terceira edição!

Olha que McLuhan falava em 1955, parece tão atual...

Cinco dedos soberanos dificultam a respiração (1955)
Marshall McLuhan

"A cidade já não existe mais, salvo como espectro cultural para turistas. Qualquer botequim à beira da estrada, com seu aparelho de televisão, jornal e revista, é tão cosmopolita quanto Nova York ou Paris.
O camponês sempre foi um parasita suburbano. O agricultor já não existe; hoje, é um homem da “cidade”.
A metrópole, hoje em dia, é uma sala de aula; os anúncios são seus mestres. A sala de aula é uma obsoleta casa de reclusão, uma masmorra feudal.
A metrópole é obsoleta. Perguntem ao Exército.
A cobertura global instantânea do rádio e da televisão torna a forma citadina insignificante e despida de função. Outrora, as cidades estavam relacionadas com as realidades da produção e da intercomunicação. Agora não.
Até a escrita ser inventada, vivíamos no espaço acústico, onde os esquimós atualmente vivem: sem limites, sem direção, sem horizonte, a escuridão, a intuição primordial, o terror. A fala é um mapa social desse pântano sombrio.
A fala estrutura o abismo do espaço acústico e mental, ocultando a raça; é uma arquitetura cósmica e invisível das trevas humanas. Fala para que eu te veja.
A escrita lançava o projetor sobre a escura e alta montanha da fala; a escrita era a visualização do espaço acústico. Iluminava a escuridão.
Esses cinco reis levaram um rei à morte.
Uma pena de pato pôs fim à fala, aboliu o mistério, criou arquiteturas e cidades, gerou estradas e exércitos, burocracias. Foi a metáfora básica com que se iniciou o ciclo da civilização, o passo com que se saiu das trevas para entrar na luz da mente. A mão que encheu um papel construiu uma cidade.
A escrita a mão está nas paredes de celulóide de Hollywood; a Idade da Escrita passou. Temos de inventar uma nova metáfora, reestruturar os nossos pensamentos e sentimentos. As novas comunicações não são pontes entre o homem e a natureza: são a natureza.
A mecanização da escrita mecanizou a metáfora audiovisual em que toda a civilização assenta; criou a sala de aula e a educação das massas, a imprensa moderna e o telégrafo. Foi a linha de montagem original.
Gutenberg tornou toda a História simultânea: o livro transportável trouxe o mundo dos mortos para o espaço da biblioteca da um cavalheiro; o telégrafo trouxe o mundo inteiro dos vivos para a mesa do pequeno almoço do operário.
A fotografia foi a mecanização da pintura em perspectiva e do olho parado; derrubou as barreira do espaço nacionalista, vernáculo, criado pela impressão. A impressão alterou o equilíbrio da fala oral e escrita; a fotografia alterou o equilíbrio do ouvido e do olho.
Telefone, gramofone e rádio são as mecanizações do espaço acústico pós-letrado. O rádio leva-nos da volta às trevas da mente, às invasões de Marte e Orson Welles; mecaniza o poço de solidão que é o espaço acústico: o palpitar do coração humano aplicado a um sistema PA fornece um poço de solidão em que qualquer um pode afogar-se.
O cinema e a televisão completam o ciclo de mecanização do sensório humano. Com o ouvido onipresente e o olho móvel, abolimos a escrita, a metáfora audiovisual especializada que estabeleceu a mecânica da civilização ocidental.
Ao ultrapassarmos a escrita, recuperamos a nossa totalidade, não num plano nacional ou cultural, mas cósmico. Evocamos um homem supercivilizado, subprimitivo.
Ninguém conhece ainda a linguagem inerente à nova cultura tecnológica; somos todos cegos e surdos-mudos, em termos da nova situação. As nossas palavras e nossos pensamentos mais impressionantes atraiçoam-nos ao referirem-se ao nosso previamente existente, não ao atual.
Estamos de volta ao espaço acústico. Começamos de novo a estruturar os sentimentos e as emoções primordiais, de que 3000 anos de letras nos divorciaram.
As mãos não tem lágrimas para derramar."