segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Trailer e sinopse do filme Mar Adentro que será tema de ensaio dos alunos da disciplina de Estudos de Opinião Pública do curso de Relações Públicas



Se você é do tipo que lê a sinopse antes de sair de casa, já senta na poltrona sabendo o final de Mar adentro. E se for mesmo esse o seu caso, as lágrimas não vão surpreendê-lo pois essa é a história de alguém que quer morrer. Esse alguém é Ramón Sampedro (Javier Bardem), um ex-marinheiro tetraplégico para quem o sentido da vida se perdeu há 26 anos e que, agora, luta na justiça para legalizar a eutanásia e finalmente poder "morrer com dignidade". Ramón era um mecânico de barcos que aos 20 anos já dava a volta ao mundo e aos 26, num mergulho em águas rasas, instalou-se para sempre numa cama, entre as quatro paredes torturantes de seu quarto.

Desde então a vida para ele é uma "humilhante escravidão" e sua única fuga são os sonhos e a vidraça que separa o seu mundo do alheio. Esse é um drama em que morte e vida digladiam-se o tempo todo e, para nós, que queremos tanto viver, o espírito suicida de Ramón parece incompreensível; até percebermos que a liberdade era o sentido de sua vida e, perdendo-a, o que lhe resta não é mais vida, mas sua migalha. O passado livre e vívido vem e vai, invadindo sua memória e depois ficando para trás, em preto e branco nas fotografias. Nessas quase três décadas de clausura, houve tempo suficiente para pensar em tudo e decidir-se pela morte, e o filme nos torna partidários dessa idéia, quase cúmplices do personagem.

Porém, a grande contradição é que nosso suicida seja um homem tão vital, tão lúcido, tão inteligente e sedutor, que recorre sempre ao humor (negro, geralmente) e faz o mundo ao redor girar e a vida de todos fazer sentido. Além de também ser dono do sorriso mais doce da Espanha. E é esse sorriso a primeira coisa que encanta Julia (Belén Rueda), uma advogada que, por causa de sua doença degenerativa, se solidariza com a causa de Ramón. Ela pergunta: "Por que você sorri tanto?". A resposta é desconcertante: "Aprendi a chorar com sorrisos". Logo também chega Rosa (Lola Dueñas), uma operária solitária que o procurou para demovê-lo da idéia, depois de tê-lo visto na TV. E ambas se apaixonam, ao mesmo tempo em que nós. E até mesmo em quem já sabe o fim da história, nasce a esperança de que o amor impeça a tragédia.

Há momentos arrepiantes, como a viagem imaginária embalada pela ópera Nessun dorma de Pavarotti, ou quando Ramón acorda aos gritos de "Por que eu quero morrer?", as belas cenas de amor, a silenciosa despedida da família, ou quando Ramón lê para Julia seu poema, que empresta o título ao filme. "Pero me despierto siempre, y siempre quiero estar muerto, para seguir con mi boca enredada en tus cabellos". O coração gela.

A história é real, com algumas pinceladas de ficção. Mais uma vez a morte é trazida como tema pelo diretor (e roteirista, junto com Mateo Gil) Alejandro Amenábar, o mesmo de Os Outros e Preso na Escuridão. Porém, dessa vez ele vem mais ambicioso. Em algumas passagens tangencia o sentimentalismo, mas a maior parte do tempo consegue ser brilhante. Sua parcialidade às vezes é exagerada, trazendo poucos e fracos argumentos contrários, fáceis de serem contestados. Em contrapartida, a perfeição está em Javier Bardem, esse espanhol de 34 anos, já igualmente queridinho em seu país. Para o filme teve de aprender sotaque galego e passar uma média de 5 horas diariamente na maquiagem para que pudesse envelhecer 20 anos. É um personagem que passa 90% do filme imóvel sobre a cama, limitado a falas e expressões. Mesmo com tais limitações, a atuação consegue ser sublime.

Bardem merecia o Oscar, mas nem sequer foi indicado, além de ter perdido o Globo de Ouro para Leonardo DiCaprio (por O Aviador). Mas Mar Adentro, com orçamento de pouco mais de 13 milhões de dólares, ganhou o Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro, teve duas indicações ao Oscar (Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Maquiagem) e recebeu 15 indicações ao Goya, o Oscar espanhol, das quais venceu 14. Amenábar vem com tudo. Almodóvar que se cuide.

Ficha do Filme Mar Adentro:
Título em Português: Mar Adentro
Título original: Mar Adentro (The Sea Inside / Mare Dentro)
País: Espanha | França | Itália
Idioma: Castelhano | Galego | Catalão
Ano: 2004
Direção: Alejandro Amenábar
Roteiro: Alejandro Amenábar e Mateo Gil
Gênero: Drama
Elenco: Javier Bardem (Ramón Sampedro) | Belén Rueda (Julia) | Lola Dueñas (Rosa) | Mabel Rivera (Manuela) | Celso Bugallo (José) | Clara Segura (Gené) | Joan Dalmau (Joaquín) | Tamar Novas (Javier 'Javi' Sampedro) | entre outros.

sábado, 26 de setembro de 2009

Indicação de livro: As Marcas no Divã - Jaime Troiano


Há 25 anos, o dia-a-dia profissional de Jaime Troiano consiste em tentar compreender a fundo o consumidor, a fim de identificar o papel que as marcas desempenham em sua vida - e na vida das empresas. Seja como executivo de multinacionais (Young & Rubicam, MPM-Lintas, BBDO), seja como sócio-diretor da Troiano Consultoria de Marca, ao longo desse período ele testemunhou a evolução dos processos que envolvem a gestão de marcas, sua construção, seu desenvolvimento e sua multiplicação em novas áreas de produtos e serviços.

O livro As Marcas no Divã - uma análise de consumidores e criação de valor nasceu do desejo de Troiano de organizar os aprendizados dessa longa vivência, de modo a poder compartilhar seu repertório de conhecimentos e experiências num momento em que grandes desafios se impõem às organizações modernas. A obra mescla textos inéditos com os principais papers e estudos produzidos pelo autor acerca da conexão entre consumidores e marcas e de como esse vínculo cria valor para as empresas.



A gestão de marca, segundo Troiano, há tempos se alinha entre as grandes preocupações das empresas mais profissionais e estruturadas - branding seria, assim, apenas uma terminologia recente para uma atividade que sempre inquietou executivos de marketing e de comunicação. Na atualidade, porém, dois fatores marcam a diferença da moderna administração de marca: a existência de muitas e eficientes ferramentas à disposição do gestor, e a convicção de que a atividade deve ser disseminada por toda a empresa, ainda que liderada pelos profissionais de marketing e comunicação.

De forma clara, quase didática, Troiano explica essas ferramentas de gestão de marca e comenta a eficiência de sua aplicação, ao mesmo tempo em que passeia por temas como motivações emocionais do consumidor, estudos de etnografia da marca, segmentação de mercado, peculiaridades dos públicos feminino e jovem, identidade visual e sistemas de medição de resultados, entre outros. Como atrativo extra, o livro traz também um capítulo inteiramente dedicado a cases brasileiros, com a descrição de suas respectivas análises de comportamento de consumidor e de gestão de marca.



"Cada capítulo deste livro é uma lição de desenvolvimento, particularmente para aqueles executivos que desejam 'pensar fora da caixa'. Pensar dentro da caixa é fazer o que os outros estão fazendo, em torno de um núcleo de informação limitado que, a cada ano, fica menor", observa o presidente do Grupo Talent, Julio Ribeiro, no prefácio da obra. Ele acrescenta: "Ler estimula as sinapses do cérebro. Ler um livro como este provoca uma explosão de sinapses".

terça-feira, 22 de setembro de 2009

BRANDING - Marccelo : "devemos entender quais valores os consumidores buscam"

AAA
De acordo com Marcelo Guedes, coordenador de Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro (ESPM-RJ) e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), as empresas, ao construírem a identidade de suas marcas, devem considerar tanto os ativos tangíveis quanto os intangíveis. “Cada vez mais, as organizações devem entender quais valores seus consumidores estão buscando. Ao reunir um conjunto deles, as companhias conseguirão deixar suas marcas ainda mais tangíveis”, explica.

Na opinião do consultor, não basta desenvolver a identidade de uma marca, é preciso ter uma boa gestão para mantê-la sempre em alta no mercado. Para isso, é necessário que cada profissional de marketing tenha profundo conhecimento de seu público. “Por meio dos stakeholders, pode-se verificar como a marca está sendo percebida”, ressalta Marcelo. E acrescenta: “A partir daí, é possível desenvolver um planejamento estratégico embasado com ações de comunicação específicas. Mas é importante lembrar que, hoje, as ações devem ter uma visão 360°, ou seja, envolver todos os participantes no processo”.

Acompanhe a entrevista concedida para a reportagem ‘Confiança, a essência da marca’, publicada na 12ª edição da revista Comunicação 360°.

Nós da Comunicação – De que forma a marca de uma empresa ou um produto pode melhorar sua visibilidade no mercado?
Marcelo Guedes – A marca pode melhorar totalmente a visibilidade de uma empresa ou produto no mercado. Na realidade, quando o consumidor busca um produto, a marca é algo que chama sempre a atenção. Há produtos, e até alguns commodities, que não têm uma marca tão representativa, mas na grande maioria das vezes, ela representa sim um grande peso. E cabe às organizações trabalharem cada vez mais a importância de sua marca, o que não é tarefa fácil.

Nós da Comunicação – Organizações devem considerar valores tangíveis e intangíveis, tido pelos consumidores como os mais importantes. Você concorda com essa informação? De que maneira as empresas podem identificar valores intangíveis e como os consumidores podem influenciar na definição da marca de uma empresa?
M. G. – Cada vez mais as organizações têm de entender quais são os valores, tanto tangíveis quanto intangíveis, que os consumidores estão buscando. Os valores devem ser identificados por pesquisas. Quanto mais envolve-se uma organização em pesquisas junto a seu consumidor, ao público-alvo e até a não-consumidores da marca – mas que têm intenção, têm conhecimento sobre o produto – mais fácil será a identificação desses valores.

Quando se trabalha com um produto, como um carro, os valores tangíveis são muito claros. Mas quando se trabalha um serviço, de um hotel ou até mesmo de uma lavanderia, os valores tangíveis são o de menos, pois, na realidade, o consumidor só aprovará o serviço a partir do momento em que usá-lo. Dessa forma, os valores intangíveis se tornam muito importantes na perpetuação dessa marca. Desde o nome, a fachada, a propaganda, a comunicação, a logomarca, ou seja, um conjunto de valores que devem ser trabalhados para tangibilizar muito bem essa marca.

Nós da Comunicação – Como se mensura o valor de uma marca (relacionado a valores tangíveis e intangíveis)? O que se deve levar em consideração?
M. G. – Esse é um aspecto muito interessante. Em marketing, a resposta sempre acaba em pesquisa. Você tem de entender seu cliente, o que valoriza sua marca, qual é a marca mais conhecida no mercado; se o cliente não vai comprar sua marca, qual marca escolhe, qual a marca do coração dele, qual a marca que ele sonha comprar. E identificar, depois, por meio também de pesquisa, o que o leva a ter essa marca como ícone. Ou seja, a pesquisa é importante em todo processo de análise e construção de uma marca.

Nós da Comunicação – Como a área de comunicação pode contribuir para uma gestão estratégica da marca?
M. G. – A área de comunicação pode contribuir muito, porque cada profissional de marketing tem de entender quem são os stakeholders de seu produto. Dessa maneira, tem de verificar como é a comunicação, como a marca está sendo vista por eles, participantes do processo, sendo um fornecedor, um parceiro, um cliente até um franqueado. A imagem da marca e todas as ações de comunicação devem estar atreladas a um grande plano estratégico. Não se admite mais hoje uma ação de comunicação que não esteja com a visão 360°, ou seja, envolvendo todos os participantes do processo e alinhada à estratégia de marketing. O primeiro passo, portanto, é definir a estratégia de marketing da empresa, utilizando a pesquisa. Depois, verifica-se como está a imagem com relação a cada participante, stakeholder, e, então, se estabelece uma estratégia de comunicação para cada um deles.

Nós da Comunicação – Como uma marca pode construir confiança e credibilidade? É possível dizer que o maior atributo da marca é a confiança que ela inspira na sociedade?
M. G. – Eu não digo que o maior atributo da marca é a confiança, mas posso afirmar, com certeza, que a confiabilidade, hoje em dia, é um dos atributos mais importantes. Sempre estará inserida na marca, seja de um produto ou serviço. A confiabilidade é fundamental em todo o processo.

Como a marca pode construir confiança e credibilidade? Primeiro, conhecendo detalhadamente seu cliente. Segundo, levantando os pontos que podem ser melhorados e aqueles dos quais você quer tirar proveito. E, por último: estabelecendo um canal de comunicação ideal, o melhor possível, tanto com a marca quanto com o cliente e o consumidor. Acredito que a estratégia do profissional de comunicação é entender o que é credibilidade, quais são as marcas que geram credibilidade e como está a credibilidade de sua marca com relação ao mercado e o que fazer para melhorar.

Nós da Comunicação – Qual é a importância de uma marca forte para uma empresa?
M. G. – Imensa. Hoje em dia, empresas conseguem sobreviver com a marca forte. As organizações apontadas como líderes de mercado ou têm certa longevidade e trabalharam muito bem a marca ou são empresas que construíram, num rápido espaço de tempo, uma marca baseada em valores. Mas a empresa que já tem a marca muito forte, consegue ter “gordura” para aguentar a concorrência. Se a concorrência vem com um produto forte, ela ainda tem tempo hábil para conseguir se superar. Acredito que uma marca forte é fundamental para uma empresa, isso é fato. E é importantíssima também para os consumidores.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Empresas offline e sua reputação online

Marcelo Vitorino

Quando nos referimos à qualidade dos serviços prestados ou produtos oferecidos, não são raras as ocasiões em que empresas consideradas como modelo têm opiniões negativas na internet. O que fazer nessa hora? Mandar desligar a internet não ajuda, se fosse assim, ninguém falaria mal da gigante das telecomunicações e recordista de reclamações online, a Telefônica, ela vive desligando a internet de todos e mesmo assim não fez mais amigos por conta disso.

Antes, o mundo offline e o online já estiveram separados por uma distância muito maior, pareciam duas ilhas de informação, mas graças aos processos envolvidos na “inclusão digital”, essa distância encurtou significamente, fazendo com que os dois mundos se misturassem e produzissem efeitos combinados. Hoje é plenamente possível um boato digital afetar as vendas do varejo tradicional de uma empresa, bem como, informações geradas em pontos de venda servirem de base para melhorias na comunicação digital de uma empresa.

O que a internet fez com as empresas? A resposta parece óbvia, mas deveria ser repensada por todo empresário. Para responder com maior propriedade, sugiro pensar nos principais pontos da internet:

•Não há limitação territorial
•Possibilidade de conteúdo colaborativo
•Ambiente interativo
•Informações fáceis de serem acessadas
•Usuários não identificados
Por um lado, a internet possibilitou às empresas uma integração maior com seus consumidores e também uma propagação muito mais rápida e eficiente de seus serviços e produtos. Por outro, ela expôs as marcas a todo tipo de comentário e reflexão, positivo ou negativo.

Sabemos que em todo processo fabril, um ou outro erro produtivo acontece, mesmo nas melhores marcas, antes isso era resolvido através do serviço de atendimento ao cliente ou em algum tribunal de justiça. Agora a parte prejudicada monta um blog, uma comunidade na internet, um fórum, um twitter e ainda assim promove o espancamento público da outra parte.

As empresas terão que repensar seus modelos digitais, tirando seus veículos de comunicação digitais do ostracismo institucional, colocando-os em seu devido lugar, como canais de interlocução com seus consumidores.

Até poucos anos atrás, bastava a empresa ter um site para estar representada na web, a alocação dos recursos envolvidos era direcionada à partir do marketing da empresa, que colocava o “investimento” como material institucional, praticamente uma apresentação dos produtos e serviços oferecidos.

O “investimento” deverá sofrer uma mudança com a web colaborativa, as empresas terão que tratar a internet como meio de comunicação e sua presença online como veículo próprio, como se tivessem uma revista, rádio ou um canal de televisão. Estruturas serão criadas, procedimentos novos adotados, mas para não errar na mão, basta ter uma coisa em mente, todo esse processo é baseado nas relações interpessoais, portanto, ao usar a internet não se esqueça que quem está do outro lado da tela ainda é uma pessoa.

*Publiciário e especialista em mídias digitais, Marcelo Vitorino é autor do blog Pergunte ao Urso

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

As empresas e as novas mídias

Autor:





Quem não está na rede mundial de computadores? Difícil dizer. Se você fizer uma busca do seu próprio nome em uma ferramenta de busca on line provavelmente encontrará alguma menção. Essa referência pode ser proveniente de um amigo que citou você em algum texto e publicou em um blog, ou no Orkut ou no Twitter ou, até mesmo, pode ser um comentário que você deixou em alguma matéria que leu na internet. A realidade é que você está na rede, quer queira ou não, e você entra por vontade própria ou por força de terceiros.

Em relação ao último motivo, as empresas são as mais suscetíveis e são constantemente citadas na internet. Imagine como deve ser o retorno de uma marca conhecida como a Petrobras. Para ilustrar o raciocínio, fiz uma busca em sites como o Google, o Youtube e o Orkut. No primeiro exemplo, o retorno foi de 8.200.000 menções, no segundo 4.540 e no terceiro 213.

Sem sombra de dúvida, a internet potencializou a questão da propaganda boca a boca. Antes, o que uma pessoa contava para 10, 15 ou mais amigos, hoje, se ela participar do Orkut, por exemplo, e fizer parte de uma comunidade, pode-se levar a mensagem para 100, 200, 1.000 ou mais indivíduos de uma só vez, e essa mesma mensagem pode ser copiada e difundida em outros meios em questões de segundos. As empresas ganharam promotores, multiplicadores de opinião para o bem ou para o mal.

Controlar o que as pessoas dirão de você ou de sua marca é impossível. Mas, cuidar, acompanhar, participar e até mesmo influenciar no que andam dizendo é uma realidade que algumas empresas já fazem muito bem no mundo real e agora estão investindo para obter sucesso no virtual.

Recentemente, Yara Peres, sócia e vice-presidente do Grupo CDN, postou o texto “Olho vivo e faro fino nas redes sociais” abordando a questão da importância de acompanhar o bate-papo virtual e a complexidade e dificuldade das empresas em se inserirem nas redes. “O Facebook, o Twitter e tudo o que coloca mais de duas pessoas juntas conversando pela internet devem ser monitorados pelas agências de comunicação corporativa para criar movimentos de prevenção e evitar problemas potenciais no relacionamento com os públicos de interesse das empresas”, diz Yara. Ela complementa afirmando que “se, por um lado, é fundamental monitorar e mensurar o que se fala das empresas nas redes sociais, por outro, é importante dar um passo à frente nessa questão criando estratégias empresariais para fazer parte desse diálogo com a opinião pública. Parece fácil, mas para a maioria das corporações, entrar nessa nova forma de diálogo é algo inimaginável. Isso exige, por parte das empresas, uma abertura imensa, uma grande disposição para ouvir e, sobretudo, entender o que dizem da marca e de seus produtos”, complementa a especialista em comunicação corporativa.


Esta é a questão que está sendo encarada pelas companhias e pelas agências de comunicação: como estar presente no mundo virtual e dialogar com todos os públicos de forma eficiente já que os acontecimentos na internet são mais dinâmicos, rápidos e cheios de oportunidades e armadilhas.

O setor publicitário, por exemplo, tem sofrido bastante com as mudanças impostas pela ‘virtualização’ dos nossos hábitos. A televisão, que por muito tempo foi a vitrine das agências publicitárias, tem perdido para a internet como o meio preferido das pessoas de se manterem informadas e entretidas. Hoje, é muito comum assistirmos a televisão e utilizarmos o computador ao mesmo tempo, e na hora do intervalo, ao invés de ‘zappearmos’, acessamos a rede virtual em busca de assuntos de nosso interesse.


Dados da Association of National Advertisers mostram que os anunciantes americanos aumentaram os investimentos em mídias sociais. Em 2009, 66% dos responsáveis pelos investimentos utilizaram as mídias sociais, enquanto que em 2007 foram somente 20%. Em relação aos virais, 50% dos investidores utilizaram tal ferramenta no ano corrente, sendo somente 25% há dois anos. Outro dado importante mostra que 55% dos entrevistados disseram ter movidos fundos das mídias tradicionais para serem investidos nas mídias digitais, enquanto que 48% tiraram dinheiro de outros setores do marketing e outros 26% criaram um orçamento específico para essa área.

Recentemente, a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) divulgou uma pesquisa que revelou que as agências brasileiras ainda estudam a melhor forma de usar a comunicação digital. Aparentemente, os comunicadores conhecem as ferramentas da internet, pois 88% dos entrevistados afirmaram conhecer de ‘moderado a muito’ o conceito de comunicação digital e 45% dos entrevistados pensam que as redes sociais são essenciais para traçar planos e rotas para os clientes. Já, 62% dos entrevistados atribuem ao cliente o maior problema de lidar com a rede – “falta entendimento, investimento e valorização das redes sociais como meio.”

Algumas empresas parecem não se encaixarem nesse perfil e já se destacam pelo empreededorismo no mundo virtual. A Intel Brasil, empresa fabricante de produtos tecnológicos como processadores para computadores, lançou o perfil no badalado Twitter. Segundo dados do Ibope Nielsen, em junho o Brasil liderava a penetração nesta mídia social com 5 milhões de usuários, à frente dos Estados Unidos. A ação faz parte de uma estratégia da Intel de penetração em mídias sociais e vem integrar outras iniciativas da Intel América Latina com páginas oficiais no Facebook, Youtube, Blogs, Flickr, entre outras.

A Nokia lançou no Nokia World, evento anual dos entusiastas de mobilidade, uma série de aparelhos móveis e serviços que promovem mudanças no modo de interação dos usuários com as novas mídias, como o Lifecasting with Ovi, um serviço de localização em colaboração com a maior rede social do mundo: o Facebook. Ele é o primeiro aplicativo que permite que os usuários publiquem suas posições diretamente no Facebook, a partir da tela inicial do aparelho. O serviço torna mais fácil o processo de registro e conexão no na mídia social, no qual os usuários se mantêm em contato e compartilham informações.

Outra companhia que ‘mergulhou’ com sucesso nas mídias digitais foi a Iveco, uma das maiores produtoras mundial de caminhões e a maior produtora de ônibus da Europa e que atua no Brasil desde 1997. Ela lançou o primeiro blog do segmento de caminhões do país e também se tornou a primeira montadora de caminhões do mercado a apresentar uma nova versão de produto, o novo Iveco Tector Stradale, exclusivamente via blog, sites e redes sociais.

Em entrevista concedida para o blog de relações públicas Ser.RP, o diretor de comunicação, propaganda e promoção da Iveco, Marco Piquini, conta um pouco sobre a ação desenvolvida pela empresa.

Ser.RP - Por que decidiram fazer o lançamento do caminhão Iveco Tector Stradale por meio do blog?
Marco Piquini - Porque a internet e as redes sociais estão crescendo muito e alcançando um número cada vez maior de pessoas. O poder de multiplicador da rede é surpreendente e procuramos utilizar ao máximo este poder de expansão da notícia.

Ser.RP - Qual foi o tempo de preparação da campanha, entre a idealização e execução?
Marco Piquini - Uma semana. Temos um núcleo interno de comunicação digital, comandando pela profissional Hellen Santos, e um fornecedor externo (Plan B). Da idéia à implantação precisamos de oito dias exatamente. Esta é outra das belezas da rede. A velocidade de implantação, além da velocidade de resposta.

Ser.RP - Qual o valor investido?
Marco Piquini - Muito pequeno. O blog (www.voceafrente.com.br) já estava no ar desde o lançamento da linha Tector em dezembro de 2009. Aliás, este foi o primeiro blog de caminhão do Brasil. O restante foi sangue, suor e lágrimas.

Ser.RP - Houve pesquisa sobre o tema antes de decidirem desenvolver a ação? O que ela apontou?
Marco Piquini - Por meio do Google Analytics nós levantamos os perfis dos visitantes de nossos vários sites: idade, freqüência, característica de utilização, e a partir daí bolamos nossas ações. Desde 2008 estamos investindo bastante na internet. Além do site corporativo (www.iveco.com.br), que aliás é o site Iveco mais freqüentado do mundo, temos hotsites para cada uma de nossas linhas de produto, além de um site exclusivo para busca de concessionárias Iveco no Brasil. Todos estes sites são lincados e estamos tirando o máximo proveito desta interação.

Ser.RP - Qual o público-alvo que a Iveco quer atingir por meio das redes sociais virtuais?
Marco Piquini - Certamente buscamos o caminhoneiro, por isso a estratégia de utilização do blog lincado a redes sociais, que se expandem. Existem centenas de blogs e comunidades de caminhoneiros na rede. Mas ficamos felizes de ver que nosso raio de ação foi muito além deste público.

Ser.RP - Quais as expectativas em relação à campanha?
Marco Piquini - Com esta ação inédita de lançamento buscamos impactar o mercado como se tivéssemos feito um lançamento tradicional, presencial.

Ser.RP - Qual o balanço que a Iveco faz da campanha até o momento?
Marco Piquini - Muito boa, mas nosso objetivo só poderá realmente medido após implantarmos todas as estratégias de divulgação, atração e manutenção de atenção que idealizamos. Vamos fazer um balanço definitivo no final de agosto.

Ser.RP - Será uma tendência da Iveco realizar estas ações?
Marco Piquini - Nunca poderemos deixar de fazer lançamentos presenciais. Afinal, o impacto da apresentação ao vivo não pode ser desprezado, especialmente num segmento como o de caminhões, onde os produtos são de grandes dimensões e despertam grandes paixões. Já imaginou curtir carros só pela internet? Não é possível, não é uma experiência totalmente gratificante. Você precisa ver de perto, colocar a mão. Mas certamente vamos explorar cada vez mais a rede para aumentar o alcance e o impacto de nossa comunicação.

Ser.RP - Como juntar a ação virtual com a realidade? Como a Iveco colocará o cliente em contato com o produto?
Marco Piquini - Não colocamos apenas o blog no ar. Nós envolvemos a rede de concessionários para que eles pudessem explorar comercialmente o momento da divulgação. Estamos agora realizando test-drives do Tector Stradale com a imprensa especializada. E muitas outras ações. Afinal, este é um caminhão que está á venda no mercado.

Ser.RP - Além do blog, quais os outros canais utilizados pela Iveco?
Marco Piquini - O site corporativo iveco (www.iveco.com.br), os hotsites de famílias de produtos (www.ivecotector.com.br, www.ivecostralis.com.br, www.ivecodaily.com.br, www.ivecotrakker.com.br), comunidades de caminhoneiros, outros blogs, twitter, etc. Além disso, exploramos a comunicação 360 graus, ou seja, divulgamos dentro da empresa, na rede de concessionários, junto aos jornalistas etc. Utilizamos nossas assessorias de imprensa para multiplicar o barulho.

Ser.RP - Qual tem dado melhor resultado em relação aos objetivos da campanha?
Marco Piquini - Ainda é cedo para medir, mas certamente o blog é o campeão até agora.

Ser.RP - Se tivessem utilizado as mídias tradicionais (revista, televisão, jornais), quanto teriam que investir para obterem o mesmo retorno conseguido com a campanha virtual?
Marco Piquini - Muito, muito, muito mais.

sábado, 12 de setembro de 2009

Exposição no CCBB: Gérard Fromanger - A imaginação no Poder. Maravilhosa !! É um verdadeiro show pictório!




" Uma análise crítica dos contextos sociopolíticos e culturais dos eventos que provocaram rupturas políticas na história moderna da França, inclusive sobre o levante de maio de 1968 e seus desdobrmentos no Brasil.
Ainda em discussão; as referências simbólicas da cultura visual daquele período: as últimas vanguardas nas artes plásticas francesas, suas relações com os outros centos de produção artistica do mundo, inclusive no Brasil."

Até o dia 15 de novembro de 2009 no CCBB de Brasília.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

TV Globo restringe uso de blogs,Twitter e outras redes sociais

Da Redação

A TV Globo divulgou um comunicado interno na noite desta quinta-feira (10/09), em que restringe o uso de blogs e redes sociais pelos seus contratados. A medida atinge tanto artistas, como jornalistas e outros profissionais da emissora.

“A divulgação e ou comentários sobre temas/informações direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Rede Globo; ao mercado de mídia e ao nosso ambiente regulatório, ou qualquer outra informação/conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Rede Globo são vedados, independentemente da plataforma adotada, salvo expressamente autorizada pela empresa”, informa o comunicado.

A Globo também exige autorização prévia para que os contratados possam ter blogs, Twitter e outras redes sociais vinculados a outros veículos de comunicação. “A hospedagem em Portais ou outros sites, bem como a associação do nome, imagem ou voz dos contratados da Rede Globo a quaisquer veículos de comunicação que explorem as mídias sociais, ainda que o conteúdo disponibilizado seja pessoal, só poderá acontecer com prévia autorização formal da empresa”.

A decisão gerou repercussão, mas até o momento somente artistas da emissora se manifestaram. A atriz Fernanda Paes Leme reclamou.“Não existe Arte sem liberdade de expressão!!”. “Blog, twitter ajudam o público a conhecer o artista por trás do personagem... eu vou continuar por AQUI!". Jornalistas procurados pelo Comunique-se informaram que ainda não haviam recebido o comunicado.

Apesar das restrições citadas, a Central Globo de Comunicação informou que não veda qualquer plataforma para o uso pessoal, mas que as ferramentas devem se limitar a isso. “A presença individual e particular dos nossos contratados deve se restringir, se desejada, exatamente a este universo, estando totalmente desvinculada da atuação na Rede Globo, nem tampouco associados a outros veículos de comunicação. Se essa separação clara não puder ser estabelecida, o uso dessas mídias fica inviabilizado”.

A emissora carioca alega que a medida tem o objetivo proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Folha cria regras para jornalistas usarem Twitter e blogs

Izabela Vasconcelos, de São Paulo



O jornal Folha de S.Paulo anunciou em comunicado interno, que os jornalistas e colunistas do veículo devem seguir algumas regras ao usar redes sociais, como Twitter e blogs. A recomendação, assinada pela editoria executiva, é que os profissionais não assumam opiniões partidárias, sobre qualquer candidato ou campanha, e também veda a publicação de conteúdo exclusivo, acessível apenas para assinantes do jornal.

Os jornalistas que quiserem citar alguma matéria exclusiva poderão fazer referência ao material, publicando o link para o acesso do conteúdo na íntegra. “Não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha”, explica o texto.

Um dos jornalistas da Folha aguardava pela decisão. “Já sabia que iriam fazer isso. Tinha muita gente abusando. Você não pode emitir opinião de uma matéria que você cobriu”, declarou.

Outro profissional do veículo também esperava esse tipo de orientação do jornal. “Esperava que adotassem uma medida nesse sentido, principalmente pelo direito autoral. A decisão não mudou em nada meu procedimento no Twitter. Eu não faço nada no Twitter que eu não faria na Folha”, revelou o jornalista, que acredita que o conteúdo exclusivo deveria ser liberado. “Seria bem mais proveitoso, mas essa é outra questão”.

Apesar de defender as orientações do jornal, o profissional afirmou que o veículo é rigoroso em relação à imagem dos jornalistas do grupo. “Excedem no rigor, tudo tem que pedir autorização, para entrevistas, palestras, enfim...".

Folha cria regras para jornalistas usarem Twitter e blogs

Izabela Vasconcelos, de São Paulo



O jornal Folha de S.Paulo anunciou em comunicado interno, que os jornalistas e colunistas do veículo devem seguir algumas regras ao usar redes sociais, como Twitter e blogs. A recomendação, assinada pela editoria executiva, é que os profissionais não assumam opiniões partidárias, sobre qualquer candidato ou campanha, e também veda a publicação de conteúdo exclusivo, acessível apenas para assinantes do jornal.

Os jornalistas que quiserem citar alguma matéria exclusiva poderão fazer referência ao material, publicando o link para o acesso do conteúdo na íntegra. “Não devem colocar na rede os conteúdos de colunas e reportagens exclusivas. Esses são reservados apenas para os leitores da Folha e assinantes do UOL. Eventualmente blogs podem fazer rápida menção para texto publicado no jornal, com remissão para a versão eletrônica da Folha”, explica o texto.

Um dos jornalistas da Folha aguardava pela decisão. “Já sabia que iriam fazer isso. Tinha muita gente abusando. Você não pode emitir opinião de uma matéria que você cobriu”, declarou.

Outro profissional do veículo também esperava esse tipo de orientação do jornal. “Esperava que adotassem uma medida nesse sentido, principalmente pelo direito autoral. A decisão não mudou em nada meu procedimento no Twitter. Eu não faço nada no Twitter que eu não faria na Folha”, revelou o jornalista, que acredita que o conteúdo exclusivo deveria ser liberado. “Seria bem mais proveitoso, mas essa é outra questão”.

Apesar de defender as orientações do jornal, o profissional afirmou que o veículo é rigoroso em relação à imagem dos jornalistas do grupo. “Excedem no rigor, tudo tem que pedir autorização, para entrevistas, palestras, enfim...".

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Você sabia que existe um museu de Relações Públicas em New York?



Este é endereço em New York:
The Museum of Public Relations
65 Broadway, Suite 899 / New York, NY 10006
voice 212.943.5858 / fax 212.430.3849

Enquanto não é possível visitar o museu, que tal passear virtualmente?
http://www.prmuseum.com/

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Marketing Cultural: das práticas à teoria, livro de Marcondes Neto

Reportagem do programa Bastidores com o autor, Prof. Manoel Marcondes Neto, alguns presentes ao lançamento do livro e flash do workshop do artista plástico Alberto Kaplan. Local: Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro. Data: 26/09/2002. Direção: Ricardo Léo.

Entrevista: Alexandre Azevedo Magalhães Costa

Titulação completa: Bacharel em Comunicação Social – Relações Públicas pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso – FACHA (RJ); Bacharel em Turismo pela Faculdade da Cidade (RJ); Especialista em Administração Hoteleira pela UFBA / SENAC. Atualmente, é Relações Públicas na Companhia Hidro Elétrica do São Francisco – CHESF, em Recife (PE); Professor do curso de Turismo da Faculdade Frassinetti do Recife – FAFIRE e professor em curso de pós-graduação da Escola Superior de Relações Públicas – Esurp.

1. Qual seu conceito de Comunicação Organizacional?
No meu entendimento, Comunicação Organizacional é um campo de estudo e um conceito em contínuo desenvolvimento. Pode ser considerada uma atividade composta por múltiplos processos e ações das diversas modalidades de comunicação (segundo Kunsch: institucional, mercadológica e administrativa) desenvolvidas, de maneira integrada, no âmbito das mais variadas organizações.

2. Existiria, em sua opinião, uma concepção brasileira sobre Comunicação Organizacional? Se sim, quais seriam algumas características específicas? Se não, o que faltaria para isto?
Estamos caminhando para isso. Hoje, vários pesquisadores contribuem para a construção dessa concepção brasileira e a Abrapcorp tem sido um fórum permanente para essa discussão. O conceito de Comunicação Organizacional, no Brasil, está amplamente atrelado às Relações Públicas e suas teorias.

3. Quais os indicadores mais relevantes para se considerar a comunicação como efetiva e excelente numa organização?
Existem vários indicadores e podemos destacar alguns: participar das definições estratégicas da organização; promover a conciliação entre os objetivos organizacionais e as expectativas dos públicos; valorização da comunicação como fonte de informação e atividade estratégica; construção de relacionamentos sólidos; entre outros.

4. A comunicação vem sendo vista como uma área híbrida. Caso concorde, quais seriam outros conhecimentos que deveriam ser buscados por pesquisadores e profissionais? Se discorda, por quê?
A Comunicação Organizacional possui uma natureza híbrida de conhecimentos, ou seja, interfaces com os mais diversos campos das ciências: antropologia, filosofia, sociologia, administração, marketing, entre outros. Podemos destacar a relação clara com a Administração, principalmente no que diz respeito à elaboração de políticas, visão, missão e valores, ou seja, das decisões estratégicas da organização.

5. Que faceta(s) da comunicação organizacional contemporânea você consideraria como campo(s) promissor(es) de estudo?
Por ser uma atividade em permanente desenvolvimento, a Comunicação Organizacional possui, além das áreas tradicionais, vários campos promissores de estudo, entre eles: hospitalidade, sustentabilidade, ética, planejamento estratégico, mídias sociais e interações digitais, relações de gênero e pró-equidade.

6. Qual foi sua última publicação (livro, capítulo, artigo, resumo de palestra, resenha - impressa ou digital, independente de data)? Cite, por favor, título, local e temática central:
Artigo: Relações Públicas e Hotelaria. In: GALHARDO, Thales. Arrecifes dos Navios, Recife, 2009. O texto trata da relação entre a prática profissional de Relações Públicas e as atividades hoteleiras (o artigo também está publicado no site www.mundorp.com.br)

7. Que livro você está lendo agora? Qual sua motivação na leitura?
Vários de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, entre eles:
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial: teoria e prática.
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial: políticas e estratégias.
KUNSCH, Margarida. Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas.
KUNSCH, Margarida. Obtendo Resultados com Relações Públicas. (relendo)
Motivação: preparação do conteúdo das aulas da disciplina Assessoria de Relações Públicas, no curso de pós-graduação em Assessoria de Comunicação na Esurp.

8. Por favor, sugira um canal digital de conhecimento interessante em comunicação organizacional e relações públicas (portal, blog, lista de discussão, newsletter eletrônica, comunidade em redes sociais, micro-blogging, entre outros):
Há vários canais digitais interessantes hoje no Brasil. Posso sugerir a consulta e leitura a alguns deles: Portal Mundo RP (www.mundorp.com.br); Horizonte RP (http://horizonterp.ning.com); Portal de Relações Públicas (www.portal-rp.com.br); Clube do RP de Pernambuco (http://clubedorp.blogspot.com ou http://clubedorp.ning.com); Blog Innova Comunicação (http://innovacomunicacao.blogspot.com); Blog RPalavreando – Carolina Terra (http://rpalavreando.blogspot.com). Além dos sites da ABRAPCORP e INTERCOM.

9. Você tem participado dos congressos da Associação? Se sim, o que tem lhe agradado mais? O que pode ser melhorado - estrutural ou conceitualmente?
Participei dos dois últimos: BH e São Paulo.
O que mais agrada: a possibilidade de troca de experiências acadêmicas e profissionais; os convidados internacionais; a construção de um conceito nacional de Comunicação Organizacional e áreas afins.
Sugestões: Reestruturação dos GTs, a fim de equilibrar o número de participantes. Menor concentração das atividades em poucos dias, isto é, em vez de dois dias e meio, as atividades poderiam acontecer em três dias completos para evitar o cansaço durante as últimas atividades (p.ex.: o Fórum de Pesquisadores, à noite); buscar novas áreas de interface (ex.: Hospitalidade). Conceitualmente, o evento está bom.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A Bíblia do Marketing Digital



Tudo o que você queria saber sobre marketing e publicidade na internet e não tinha a quem perguntar.
Edição: 1 | Ano: 2009
Editora
Novatec

O consultor e palestrante Cláudio Torres lança pela Novatec Editora o livro A Bíblia do Marketing Digital, um guia prático e abrangente que ensina o leitor a entender e a utilizar a Internet para o crescimento de seus negócios, e também a criar ações de marketing, comunicação e publicidade on-line, inserindo-se definitivamente no Marketing Digital.

A Internet tem crescido muito no Brasil nos últimos anos, e hoje, usar a Internet nos negócios não é mais uma questão de escolha, é uma questão de sobrevivência, embora muitas empresas ainda resistam a esta tendência. E o livro A Bíblia do Marketing Digital pretende justamente mudar este comportamento, mostrando às empresas, empresários e agências de publicidade a importância do como e do por que utilizar a Internet em seus negócios e estratégias.

O autor, Cláudio Torres, reuniu e organizou neste livro os resultados de sua experiência profissional nesta área, e procura desmistificar o uso da Internet em ações de marketing e publicidade voltada aos negócios, trazendo explicações graduais em cada capítulo, desde os conceitos básicos da Internet, incluindo a revolução da web 2.0 com os blogs, mídias e redes sociais, e trabalhando uma a uma as principais estratégias desta atuação.

Em A Bíblia do Marketing Digital o leitor encontrará orientações para entender quem é o consumidor que está on-line, como ele se comporta e quais as ferramentas on-line que empresas ou agências podem utilizar em suas atividades de marketing e publicidade e também como transmitir sua mensagem e atingir esse consumidor.

Sobre o Autor

Cláudio Torres é graduado em Engenheira Eletrônica pelo ITA, tem Mestrado em Sistemas pela USP, e fez pós-graduação em Marketing na Suécia. Atua como consultor e palestrante em marketing digital e mídias sociais, e desenvolve campanhas publicitárias na Internet para várias agências de publicidade. É Editor de vários blogs e portais, como o www.claudiotorres.com.br e o www.enochatos.com.br. É sócio de diversos projetos na Internet como a www.infobot.com.br, empresa de consultoria em marketing digital, o www.postexpress.com.br, plataforma de monitoramento de mídias e redes sociais, e o www.brichos.com.br, portal de entretenimento infantil da marca Brichos.

sábado, 5 de setembro de 2009

Falar ou não falar com a imprensa?

Sou um empresário de comunicação que atua há muitos anos nas atividades de Relações Públicas e Assessoria de Imprensa. Sou sempre o primeiro a sair em defesa da liberdade de expressão e da importância de um jornalismo livre e sem amarras. Mas o que fazer quando aparecem situações inesperadas e fora dos manuais do jornalismo das quais todo o profissional, pelo menos uma vez na vida, tem de lidar?

Tive recentemente uma reunião com o presidente de uma grande companhia (sem nomes, por favor) que sofreu o assédio da imprensa em uma situação inusitada. A empresa não havia feito nada de errado, estava absolutamente em dia com as suas obrigações. Mesmo com todos os meus (bons) argumentos e histórico de empresas que haviam passado pelo mesmo constrangimento não houve jeito. Ele estava disposto a agüentar a pressão e esperar para que o assunto desaparecesse (o que aconteceu dias depois). E me contou uma história.

Um dia ele recebeu a ligação de um grande amigo, dono de uma construtora. Disse-lhe que havia adquirido um grande terreno em S. Paulo e que o mesmo receberia uma incorporação em formato de torres residenciais. Tomou todas as precauções. Entrou em contato com a prefeitura de S. Paulo, pediu indicação para o melhor cartógrafo para que ele realizasse todos os estudos de demarcação do terreno, tudo absolutamente de acordo com a lei e com as regras de uma ocupação responsável, com respeito ao ambiente, conforme sempre fizera.

Ao finalizar a construção foi informado de que a incorporação estava “errada” – que uma área nativa de 200 metros quadrados havia sido delimitada de maneira irregular. O empresário mostrou toda a documentação aprovada, que havia sido realizada por cartógrafo indicado e autorizado por eles. Alguém, evidentemente, queria um “empurrão” para aprovar o “habite-se”.

A situação começou a sair do controle quando um dos compradores, justamente uma consumidora inadimplente – que havia pagado apenas três prestações iniciais – que foi à imprensa e reclamou que a incorporadora havia lhe enganado, que não podia mudar-se e que não tinha para onde ir. O empresário recebeu uma ligação de um programa “jornalístico” de uma grande rede (formato que combina repórteres improvisados e engraçadinhos com políticos e personalidades) que gostaria de lhe entrevistar para “esclarecer” o caso.

O empresário ligou para o presidente desta empresa que me contou a história. Pediu-lhe para perguntar o que fazia:

- Eu os atendo ou não?, perguntou o incorporador.

- De forma alguma, respondeu o executivo. Eles não querem esclarecer nada. Querem explorar o assunto, querem audiência.

- Mas eu não tenho o que temer!, retorquiu. Tenho tudo a meu favor. Só não poderei dizer que há alguém na Prefeitura que quer cobrar para me dar o “habite-se”, mesmo tendo eu feito tudo direito, dentro dos conformes …

- Não recomendo.

- Você me disse que conhece a direção da TV. Fale com eles, explique-lhes a verdadeira situação …

- Desculpe, mas o melhor é você não os atender. De nada adiantará falar com eles.

- Então está bem. Tenho outra idéia. Estudei com o apresentador em uma faculdade de Engenharia, quando ele lá esteve por um ano. Me pareceu ser um cara legal, decente. Vou ligar para ele e explicar-lhe. Tenho certeza que ele entenderá e produzirá uma matéria equibilibrada …

- Não faça isso. Você se arrependerá.

A conversa terminou. O executivo achou que ele aceitaria a sua recomendação. Dias depois, soube o que aconteceu. O incorporador, de fato, ligou para um dos apresentadores, que foi super receptivo, entendeu a questão e deu-lhe uma idéia. Ele o receberia na redação do programa na TV onde poderia explicar toda a situação.

No dia marcado, três ou quatro horas antes do encontro agendado, a secretária do incorporador, em pânico, lhe avisa que a “reportagem do programa” estava na recepção da empresa. Imediatamente, o incorporador chama o seu sócio, um executivo mais calmo e sem envolvimento emocional com o problema, e combina que ele atenderia a reportagem.

Ao recebê-los surpreende-se com a equipe de reportagem em tom persecutório ao lado daquela compradora de um dos imóveis, com um bebê no colo, em prantos e acusações contra empresários desonestos e desalmados etc.

O resultado foi um desastre. Em termos de imagem da incorporadora, em termos pessoais (o sócio que atendeu à reportagem teve de ser internado, por problemas nervosos).

Volto à reunião com o executivo. No meio da conversa argüi, em tom de blague, que ele deveria ter indicado a minha agência para administrar a crise. Mas é claro que saí da reunião incomodado com a história que havia acabo de ouvir.

Continuo firme na convicção de que chamar especialistas de uma agência de RP é o melhor procedimento para administrar graves crise de imagem como a da incorporadora. Há maneiras e maneiras de atender à imprensa – desde comunicados e “notas” à outras ferramentas.

Há 30 anos acompanho e administro o calvário de algumas delas em crises de comunicação. Todas as vezes me espanto com o despreparo de alguns repórteres e com a clara (má) intenção de destilar alguma raiva contra o “capitalismo selvagem” representada por algumas grandes empresas (não mencionarei aqui a grande maioria jornalística que exerce um trabalho equilibrado e que tem a sua importância e relevância reconhecida pela sociedade).

Todo o RP passa por situações muito difíceis, pois fica no meio das pressões – entre a imprensa e os diretores de uma empresa, que acham que basta falar a verdade (que muitas vezes não pode ser dita na sua completude, quando há tentativa de suborno envolvida) para que a imprensa entenda. E não compreendem quando tudo sai o oposto do que imaginavam.

Como explicar para estes empresários sobre programas que se apresentam como “jornalísticos” quando na verdade são comediantes da tragédia alheia, justiceiros travestis, arautos da verdade? Que jornalismo é esse?

Ora, dirão, desde que a imprensa é imprensa – leiam “Bel Ami”, de Guy de Maupassant para entender o que estou querendo dizer – há a exploração do contraditório, do exagero, da amplificação da tragédia em cujos elementos há a adição de repórteres jovens e justiceiros com editores céticos e interessados tão somente na finalização de seus materiais.
O que você faria em uma situação como essa?

Ricardo Braga

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Política na internet e o Blog do Planalto





Alexandre Inagaki

Nove meses depois de ser idealizado, Blog do Planalto estreia sem espaço para comentários.


A bem-sucedida campanha eleitoral de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos fez com que políticos de todo o mundo prestassem a devida atenção ao fato de que a internet, e em especial as mídias sociais, adquirem um papel cada vez mais relevante na formação de opiniões. Não à toa, é visível o número cada vez maior de políticos que criaram blogs e perfis em redes sociais como o Twitter, a ponto da Bia Kunze ter ironizado o hype atual com uma comparação irretocável: ‘Twitter não é paraíso fiscal, mas muitos políticos estão abrindo conta aqui?’.

Embora estejamos a um ano das próximas eleições, a internet brasileira anda movimentada como nunca na seara política. Recordo, por exemplo, os recentes escândalos protagonizados pelo presidente do Senado José Sarney, que motivaram a criação do movimento #ForaSarney no Twitter. Com resultados pífios, como era de se esperar de uma ‘revolução com a bunda no sofá’. A recente criação do polêmico Petrobras Fatos e Dados, blog no qual a estatal petrolífera divulgou perguntas que haviam lhe sido enviadas por jornalistas de veículos como O Globo e a Folha de S. Paulo antes da publicação das matérias, também acirrou discussões. De um lado, há os que citaram um possível ‘fim da imprensa manipuladora’ em meio ao ‘desespero da mídia’; de outro, os que falaram na iniciativa da Petrobras como ‘manobra política tática’ e ‘acossamento’ oriundo de um suposto ‘aparelhamento petista’.

Em meio a esse cenário, eis que justamente no Blog Day, celebrado dia 31 de agosto, entrou no ar o Blog do Planalto, novo canal oficial de comunicação da Presidência da República. O site, que segue as pegadas do blog da Casa Branca do governo Obama, já vinha sido atualizado desde abril, mas só hoje, após diversas avaliações internas e ajustes de layouts e textos, foi enfim aberto para a visitação pública, com direito a um vídeo em que Lula em pessoa dá as boas-vindas a todos da sociedade brasileira que ‘viajam na internet’.

O Blog do Planalto, que estreia oficialmente nove meses após sua idealização, entrou no ar com uma respeitável carga inicial de conteúdo, incluindo uma entrevista exclusiva com Maria da Penha Maia Fernandes, biofarmacêutica vítima de violência doméstica que inspirou a criação da Lei 11.340 (que legisla sobre agressões contra mulheres), e um singelo vídeo no qual um garoto interrompe uma conversa entre Lula e Regina Casé a fim de perguntar quantos dedos o presidente da República tem.

A equipe responsável pelo projeto é formada por diversos profissionais experientes na área de blogs, a começar pelo seu coordenador, o jornalista e ex-assessor de imprensa do Greenpeace Jorge Henrique Cordeiro, do blog O Escriba. O webdesigner é Daniel Pádua, que em 2002 tornou-se um dos primeiros brasileiros a ganhar destaque internacional na blogosfera com a criação do BlogChalking, ferramenta de localização geográfica de blogueiros. A equipe conta ainda com Daniel Carvalho Duende, que coordenava a área em português do Global Voices Online, Maiana Diniz, que já trabalhava na Secretaria de Imprensa do governo, e o programador Marcos Machado, da Empresa Brasil de Comunicação.

Espero que a Secretaria de Comunicação Social do Planalto perceba o quanto a ausência de uma área de comentários ou, pelo menos, a implementação de um fórum de discussões ou de um Ning faz falta. Afinal de contas, a maior razão de ser de um blog é o fomento a debates e conversações, que fazem com que a comunicação não venha em mão única, como na mídia tradicional. Por enquanto, há apenas uma área para a inserção de pingbacks e trackbacks oriundos de outros blogs.

Até compreendo a inexistência de um espaço de comentários. Afinal de contas, o grande dilema em ações envolvendo mídias sociais é o temor do recebimento de críticas negativas que invariavelmente pipocam aqui e acolá. Porém, é importante ressaltar que esses feedbacks sempre existiram e sempre existirão; qualquer empresa ou instituição como o Governo Federal deve ter a consciência de que unanimidades são utópicas. Torço para que os responsáveis pela implementação do Blog do Planalto percebam isso e permitam a criação de um espaço para comentários, ainda que sejam previamente moderados, a fim de propiciar um uso mais democrático e interativo do novo espaço.

Do mesmo modo, espero que seja criado em breve o Twitter oficial do Planalto, seguindo os exemplos da Presidência de Portugal e da Casa Branca norte-americana. E que ele seja utilizado da forma apropriada, levando-se em consideração que o Twitter é uma ferramenta de interação visualizada por um plenário repleto de pessoas críticas que anseiam por diálogos e usam o site como meio para externar reclamações e cobrar ações e iniciativas; Xuxa Meneghel e Aloizio Mercadante descobriram, ainda que a fórceps e à sua revelia, como funciona o Twitter.

Por certo ainda há muito a ser aprimorado no Blog do Planalto. Mas a iniciativa é, sem dúvida nenhuma, louvável. É como bem resumiu Tiago Casagrande no post no qual comentou o blog da Petrobras:

‘MAIS INFORMAÇÃO = BOM;
qualquer tentativa de controle da informação = fracasso instantâneo ou iminente.’

Por fim, torço para que o Blog do Planalto represente uma efetiva proximidade do governo com a sociedade brasileira, escapando do risco de se tornar uma mera ferramenta com interesses eleitoreiros. Os responsáveis pelo projeto certamente estão cientes de que paus e pedras serão lançados, sem a menor piedade, pelos opositores ao governo caso encontrem uma vírgula ou um acento no lugar errado. Sintomas, no mais, de tempos em que discussões políticas lamentavelmente se assemelham mais a bate-bocas de torcidas organizadas de futebol ou debates acalorados em diretórios acadêmicos promovidos por xiitas e xaatos. Um cenário empobrecedor, que me faz recordar das palavras de Tiago Dória acerca destes novos tempos na comunicação:

‘Podemos ficar acostumados a ouvir somente o que gostamos (posso ouvir só a música que gostei), a ler somente o que ratifica a nossa visão de mundo (leio apenas matérias avulsas), e isso faz fechar nossa visão de mundo. Lemos, ouvimos e assistimos apenas àquilo que reforça o que já acreditamos. Polariza um pouco as coisas.’

Do naufrágio ao pós-naugrágico- Comunicação interna, crises e valores

A literatura que discursa sobre o papel da comunicação interna na gestão de crise é vasta e de grande utilidade, seja para analisar o tema desde o ponto de vista teórico, seja para obter recomendações aplicadas na vida real. Exitosas ou não, de todos os casos é possível extrair um aprendizado, desde que haja um estudo detalhado e envolto em um espírito crítico e autocrítico.

Além disso, cresce em grande escala o número de documentos que expõem a relação entre a crise e os valores corporativos e pessoais de quem precisa enfrentá-la. Em geral, pretende-se mostrar nesses textos a posição privilegiada em que se encontram, diante de uma crise, as organizações e pessoas que apresentam uma história arraigadas a fortes valores e estrutura, sem nunca haver renunciado a sua identidade.

Acima de qualquer argumento, conquistar uma reputação de confiança permite enfrentar cenários turbulentos com um melhor desempenho.


Comandantes ou magos corporativos: os gestores de confiança

É preciso dar razão a Stephen M.R. Covey na escolha do título de um dos seus livros mais lidos: “Fator confiança: o valor que muda tudo”. É certo dizer que a confiança não só é a variável que reduz a complexidade organizacional, como também é um fator insubstituível. A tecnologia pode ser remediada, assim como os recursos financeiros e logísticos, mas a confiança não. Isso porque a confiança é questão de história, de trajetória. Só por meio de um caminho percorrido é possível fazer com que as pessoas incorporem como próprias os objetivos da empresa, ao mesmo tempo em que a empresa tome como suas as necessidades das pessoas.

No fim das contas, sempre vamos ao encontro da sabedoria dos antigos pensadores gregos, como a de Covey, ou como a que se vê em “Se Harry Potter dirigisse a General Electric”, de Tom Morris. Sem credibilidade enraizada em valores é extremamente difícil sobreviver em tempos de crise, pois sem credibilidade é impossível gerar confiança.

Além disso, alguns desses textos destacam que não há uma cultura fundamentada em princípios sólidos, com uma comunicação interna que apensas discursa sobre seus valores. Há a necessidade de que a organização viva seu valores e que os transmita de forma persuasiva, sem limitar-se a pontuá-los em uma notificação. É preciso mostrar os valores como bens desejáveis, apetecíveis àqueles que precisam levar adiante os esforços necessários para transformar os valores da empresa em fatos incontestáveis.

É possível também encontrar muitos autores que traçam, em suas obras, um paralelo entre as análises filosóficas e sociológicas de sociedades que se caracterizam por valores débeis e o êxito daquelas organizações que, mesmo contra a maré instituída pela moda, insistem em apostar na comunicação interna para desenvolver uma cultura profissional sólida.


Crise e valores: o lado negro da força

As relações entre a crise, os valores e a comunicação interna vêm sendo analisadas de diferentes pontos de vista, todos eles necessários. Parafraseando Star Wars, o aspecto menos considerado refere-se ao lado negro da força, já que os valores das pessoas e das organizações estão suscetíveis a mudanças durante uma crise.

Por mais estranho ou paradoxal que pareça, G.K Chesterton considerava que a mais bela visão de Robson Crusoé se dava no momento em que acontecia a recontagem dos restos do naufrágio: “O melhor do livro está na lista de restos salvos do naufrágio. O mais lindo poema é apenas um inventário”. A crise não deixa ninguém ileso, seja qual for a sua natureza. É ingênuo pensar que tudo voltou ao normal porque o nível de vendas voltou a subir ou porque as perdas foram minimizadas ou porque ninguém mais comenta sobre os colegas demitidos meses atrás.

Assim como o ocorrido a Ulisses em seu retorno a Ítaca, as asperezas da vida deixam cicatrizes. Isoladas, muitas vezes não são notadas, mas quando juntas, tornam-se as marcas permanentes pelas quais somos reconhecidos. O que acontece às pessoas acontece também com as organizações. As crises desafiam a todos e, como acontece após as tempestades em alto mar, quando o vento e as ondas se acalmam, chega o momento de avaliar os danos e repará-los. Só assim é possível seguir em frente, voltar a um ponto de equilíbrio, unindo o que se separou, mesmo que esse reparo seja precário e provisório, até que a cicatriz que fechará definitivamente a ferida aconteça.


Logo após naufrágio, a recontagem

Os departamentos de Comunicação Interna são os mais preparados para levar adiante, junto com as áreas de Recursos Humanos, a mensuração das perdas e para listar as reformas necessárias, fixando prioridades, meios e prazos.

Reconstruir a cultura da organização só é possível caso se assuma, pelo menos como hipótese, que é necessário questionar sobre o que foi desconstruído o que se entende, etimologicamente, pela palavra cultura: o verbo colere, origem de “cultura, “cultivo”, “culto”, palavras que trazem em comum “cuidar” nas entrelinhas.

O cuidado é, por meio de uma visão global, panorâmica e abrangente dos efeitos, uma das virtudes das mais importantes em um líder após o naufrágio. E a comunicação interna ouve com atenção os ecos do acontecido para assim tecer uma solução. Disse Nietzsche: “encontrar alguém pra fazer uma festa, não é o mais difícil. Difícil mesmo é encontrar alguém que realmente se divirta com ela”. Levando essas palavras em consideração, podemos dizer que não há grandes dificuldades em se salvar de um naufrágio, mas sim sobreviver aos inúmeros naufrágios que sofremos na vida. E somente o cuidado mútuo é que tornará possível realizar os pequenos milagres da vida cotidiana.


Natalia Hopkins é diretora da AB Communicaciones.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Entrevista com Margarida Kunsh, RP renomada e autora de vários llivros que estudamos

RBS Debates:um novo mundo de relacionamento



Autor(es) da Notícia:
Eliziane Lettieri Vezzosi
Tamara Moch

As novas linguagens hoje estão falando obrigatoriamente de WEB 2.0 que tem como característica a descentralização de produtos. A relações-públicas Gisele Lorenzetti falou da nova febre do mercado: Web 2.0 no RBS Debates que abriu o 21° Set Universitário, evento que aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de setembro, promovido pela Faculdade de Comunicação Social (Famecos – PUCRS). Estiveram também presentes no Debate o diretor-presidente da Borghierh Lowe, Ehr Ray, e o jornalista Ricardo Noblat.
Como tema central Gisele abordou uma nova realidade: o cidadão 2.0 que tem como característica utilizar a internet como espaço de interatividade social. Ela que é sócia e diretora executiva da LVBA Comunicação e vice-presidente da Associação (Abracom), entidade que ajudou a fundar, graduada em Relações Públicas com especialização em Administração de Empresas, foi professora de planejamento em Relações Públicas na faculdade de Comunicação Cásper Líbero e membro do Conselho Regional de profissionais de Relações Públicas em três gerações.Hoje nos EUA 93% dos jovens entre 12 e 17 anos utilizam a web e tratam o acesso à rede como um local de interação social. “Neste novo mundo, onde a palavra de ordem é o relacionamento, o relações-públicas consegue gerenciar relacionamentos com lideranças, identificar oportunidades e necessidades de comunicação da instituição com a sociedade”, disse Gisele Lorenzetti. “Age para que a organização se adapte num ambiente de constante transformação, constroem/mantêm ou reformam a reputação positiva de uma instituição, um produto, monitoram as variáveis de comportamento das lideranças e humanizam as relações de trabalho, permitindo a troca de informações nas empresas”, lembra também a profissional.

Considerando este um período de transição, Lorenzetti divide a população em duas partes: imigrantes e nativos. Os imigrantes seriam as gerações anteriores ao uso da WEB e apresentam preconceitos e dificuldades em relação a esse tema. Já os nativos apresentam facilidade e vêem a internet como uma extensão de si, vivendo a cultura da informação sem dono. Lorenzetti ressalta “tecnologia é relativamente fácil de mudar. Podemos ser resistentes no início, mas conseguimos nos adaptar, porém cultura é outra história”.

Para finalizar, a palestrante trouxe um dado, recente, divulgado pela Folha de SP no dia 21/09/2008, onde aponta a profissão de relações-públicas entre as dez profissões mais promissoras, devido à necessidade do mercado por um profissional de relacionamentos.

(Que bom que nossa profissão media as relações, esse será um grande desafio para os proximos anos.).Mara Baroni

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Identidade visual Havaianas - Leão de Ouro no Festival de Cannes 2009 categoria Design

Vejam que legal esse vídeo.

Conhecimento em Social Media cada vez mais importante para os novos profissionais de Relações Públicas



(Lembram do que eu falei em sala de aula?)

De acordo com um novo estudo levado a cabo pelas empresas iPressroom, Korn /Ferry International, em conjunto com a Public Relations Society of America, os futuros profissionais de Relações Públicas (RP) que quiserem singrar na área deverão ter conhecimentos abrangentes sobre as mais recentes ferramentas online (fonte – Marketing Charts).

O inquérito, implementando junto de profissionais de RP envolvidos em processos de selecção, revela-nos que do outro lado do oceano as empresas dão importância a:

82%- conhecimento em media relations tradicional

80%- conhecimento sobre social media

77%- conhecimento de blogging, podcasting e RSS

72%- conhecimento de serviços de micro-blogging como o Twitter

65%- conhecimento sobre SEO

56%- facilidade em produzir Web content

52%- conhecimento sobre social bookmarking

Seria interessante promover um estudo com estas características no mercado português, em agências e Departamentos de Comunicação. Na Guess What | Public Relations os critérios de selecção (ainda) não são tão Net-Rígidos mas na selecção já pesa a respectiva “pegada online” do candidato (blogs, twitters, social media, etc.).

No entanto, uma personalidade curiosa, divertida e atenta à realidade que o rodeia, online e offline, também pode levar o barco a bom porto. E ofertas de almoços ou jantares em restaurantes de sushi não prejudicam o processo de selecção…

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"A revolução da mídia " - esse vídeo é muito bacana e inteligente!

Comércio Social - a nova tendência do Comércio Eletrônico

Conrado Adolpho

Outro dia, li um artigo que falava sobre os "coolhunters" - em bom português, caçadores de tendências. Parece uma profissão futurista ou algo saído de filmes hollywoodianos (ou bollywoodianos, para ser mais "cool"). Os coolhunters, porém, são profissionais que detectam aquilo que, parafraseando Klee, um olho vê, o outro sente.

Tais tendências se delineiam sutilmente nos tecidos de nossas vidas e, sem que percebamos de forma concreta como tudo aquilo começou, tomam forma e se definem como um hábito. Os coolhunters buscam exatamente tais pequenas oscilações sociais que iniciam uma tendência macro.

Mark Penn, no seu livro "Microtendências", apresentou-nos algumas das tendências mundiais que hoje se definem e influenciam mercados e instituições.

Criar as estratégias de sucesso significa detectar tendências

Enxergamos no nosso dia a dia (com os dois olhos) o crescimento sem precedentes da Internet e algumas tendências advindas desta. Vou apresentar-lhes uma delas que está surgindo em várias partes do mundo de forma isolada, mas que promete promover uma mudança completa na forma como compramos na internet - o Comércio Social.

O brasileiro sempre foi um povo gregário e que adora inovações. Com a chegada da web, tais características só se potencializaram, fazendo com que muitos aderissem em larga escala e de imediato, principalmente no tocante às redes sociais. É fácil perceber isso por meio do Orkut, que é completamente dominado por brasileiros.

Nosso povo passa mais tempo no Orkut do que no seu e-mail, sendo que esta rede social é o site mais acessado do país. Uma vez que somos assim, de que forma as empresas podem se aproveitar disso para aumentar seus lucros e receita?

A resposta está em utilizar os conceitos das redes sociais para promover lojas de comércio eletrônico. O Comércio Social se mostra muito lucrativo para empresas e tem boa receptividade perante o consumidor.

O publicitário Nizan Guanaes disse certa vez que haveria cada vez mais conteúdo na propaganda e cada vez mais propaganda no conteúdo. Os limites entre conteúdo e propaganda estarão cada dia mais tênues. Lembra-se do genial "Free Jazz Festival"? Um dos melhores exemplos que me lembro para exemplificar tal citação.

Redes Sociais são naturalmente desenvolvidas a partir de conteúdo gerado pelo próprio usuário. O que é o Orkut sem a presença dos usuários criando seus perfis, colocando fotos e vídeos? É como uma cidade fantasma, apenas um programa de computador sem nenhum atrativo.

Até hoje a grande maioria das lojas virtuais são somente uma vitrine de produtos com um carrinho de compras, porém, imagine se junto a uma loja virtual, você pudesse criar comunidades de marca comentando sobre determinada marca ou produto. Ou se você pudesse vender seus livros usados e utilizar seus créditos para comprar novos ou ainda discutir em um fórum sobre a qualidade ou as diversas formas de utilização de um produto que os membros do fórum compraram.

Para os que acham que isso não pode ser possível no mundo em que vivemos atualmente, a Amazon já faz isso há alguns anos. Eles praticam Comércio Social e por isso são os maiores varejistas virtuais do mundo.Você pode estar se perguntando como fazer Comércio Social em uma loja de comércio eletrônico. Parece intangível demais.

Primeiramente, é preciso gerar tráfego para uma loja de e-commerce. Não existe Rede Social sem pessoas para torná-la coesa. Atualmente, a melhor ferramenta pra gerar tráfego é o Google. Ter o seu site bem posicionado nas principais palavras-chave do seu negócio (as mais buscadas pelo mercado) é fundamental para gerar tráfego para sua loja.

A geração de Tráfego, contudo, não é o suficiente. O Comércio Social se consolida, de fato, quando se planeja a loja virtual baseando-se no conceito de Rede Social e, para isso, é preciso criar o que denomino "colas sociais" - conteúdo relevante que faz com que os usuários tenham motivo para orbitarem em torno da marca ou do site.

Uma "cola social" é uma maneira de promover interação entre usuários, jogos disputados em grupos de consumidores, promoções, fóruns e outras ferramentas disponíveis com a tecnologia que temos hoje.

Uma vez que sua loja tem tráfego e "colas sociais", é preciso se relacionar com seu público, criar diálogos entre "empresa-consumidor" e estimular o diálogo "consumidor-consumidor". Correndo o risco de criar um neologismo, eu chamaria isso de criar um "multiálogo". A Internet é uma grande conversa e deve ser tratada como tal.

Um site que gosto muito e cito como case em palestras e livros é o "Camiseteria", um excelente exemplo de Comércio Social. Vale a pena conferir.

O Comércio Social é hoje uma tendência que se delineia sutilmente e as lojas virtuais que a seguirem certamente terão muito sucesso em sua empreitada online como uma maneira de diferenciação. Sair do comum, inovar é a fórmula para ter sucesso no atual e caótico mercado. Assim como os coolhunters caçam tendências mundo afora, sua loja pode criá-las. Inove!

Case - Projeto Becel - Um incrível programa de conscientização para mudança de hábitos e vida saudável.

Flávio Schmidt
Programa de Relações Públicas para Reposicionamento do Produto Margarina Becel

"Case" um programa realizado na década de 80 por duas razões:

• para demonstrar a eficiência de Relações Públicas na mudança de comportamento de uma sociedade ainda mal informada em relação aos fatores de risco de doenças cardíacas como colesterol, obesidade, hipertensão, tabagismo, entre outros.

• para mostrar que a atividade de Relações Públicas já vinha sendo desenvolvida em sua plenitude e com sucesso muito antes dessa atual corrida para mostrar a eficiência da atividade para os negócios empresariais.

Embora antigo, mas não velho ou desatualizado, esse programa foi escolhido porque se mantém atual no sentido de que a sociedade continua produzindo, ainda hoje, tabus e preconceitos sobre como cuidar da saúde pessoal e ter uma qualidade de vida saudável. Esse programa desenvolveu um processo gradual de transformação do conhecimento e das opiniões individuais de pessoas, construindo um (novo) correto conceito em torno de um produto.

Descrição do Cenário

No início da década de 80, a Van Den Berg, Divisão de Produtos Alimentícios, da Gessy Lever (atual Unilever) decidiu lançar um produto inovador, que traria benefícios importantes para a qualidade de vida dos seus consumidores. O produto propunha, além de oferecer vitaminas e sais minerais, também contribuir para a redução do colesterol sangüíneo e, conseqüentemente, diminuir o risco de um ataque cardíaco.

Tratava-se da Margarina Becel, que continha em sua formulação gordura poli-insaturada, resultado do processo de hidrogenação necessário na produção da margarina. As características benéficas do produto eram reais e os benefícios eram, praticamente, assegurados a todos os que consumissem regularmente o produto. De tão avançado, os responsáveis pelo produto - tanto da área técnica industrial quanto de marketing - acreditavam num impacto forte e positivo na população e partiram para uma campanha publicitária ousada para a época. O apelo emocional da campanha focava a proteção do homem e do marido contra ataques cardíacos, mostrando a importância do consumo da margarina Becel. A campanha era dirigida à mulher, dona de casa, esposa, dedicada e zelosa pelo bem estar da família.

Entretanto, os fabricantes não imaginavam que a população não estivesse preparada para receber um produto tão inovador e tão importante para a saúde das pessoas. Naquela época, não havia sido, ainda, disseminado o conceito de alimentação saudável e muito menos de produto alimentício saudável. O apelo publicitário posicionava o produto quase como remédio, exaltando suas características e propriedades. A classe médica e para-médica contestava, alegando que as características anunciadas não eram verdadeiras e a mulher, dona de casa, alegava que seu marido não estava doente e, portanto, ele não precisava de remédio.

Por esse erro estratégico da campanha de lançamento, o produto foi mal posicionado e sofreu forte rejeição por parte dos consumidores. O enorme esforço aplicado na campanha publicitária para apoiar o lançamento da marca não obteve resposta em vendas na proporção desejada e o produto estava fadado a morrer. Sabendo que o problema não se encontrava no produto, mas sim no conceito que fora atribuído a ele, os fabricantes entenderam que havia a necessidade de um forte reposicionamento e que esse processo somente poderia ser efetuado por um trabalho planejado, permanente e dirigido de Relações Públicas.

As primeiras ações - Auditoria de Opinião

No segundo semestre de 1980, foi realizada, pela Inform Consultoria de Relações Públicas, uma Auditoria de Opinião com o objetivo de conhecer qual seria o real conceito de Becel junto aos diferentes públicos impactados e quanto esses públicos conheciam os elementos que faziam parte dos atributos do produto como gordura poli-insaturada, vitaminas, sais minerais, e dos fatores de risco cardíacos como o colesterol, hipertensão, obesidade, fumo, forma física, sedentarismo e, por fim, sobre saúde geral e alimentação saudável.

A Auditoria de Opinião mapeou os públicos estratégicos e definiu que seriam entrevistados representantes do Governo, de Associações de Classe e Sindicatos, Revendedores, Indústrias do Setor, Fornecedores, Comunidade Médica e Para-médica, Nutricionistas, Imprensa e Consumidores (leigos). Foram efetuadas, no total, 80 entrevistas, entre autoridades, diretores e professores de Faculdades de Medicina e Associações de Classe, Médicos particulares, nutricionistas, inclusive diretoras e professoras de Escolas de Nutrição, Jornalistas e Consumidores. Foram cobertas as seguintes cidades: São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.

Diagnóstico

O diagnóstico indicava um quadro de consenso:

• que o brasileiro alimentava-se muito mal por razões de hábitos e tradições, costumes regionais e falta de condições financeiras.
• que o colesterol não se configurava como um problema de gravidade prioritária uma vez que não era associado aos problemas cardíacos, ao contrário, era considerado um assunto discutível, cientificamente questionável e polêmico.
• que os óleos e gordura saturada não eram considerados nocivos à saúde.

Havia desinformação, negligências e preconceitos na área de saúde e alimentação. Não havia nenhuma posição esclarecedora por parte da classe médica quanto ao papel das gorduras na formação do colesterol, nem quanto às causas e conseqüências do colesterol sangüíneo.

O descrédito de Becel estava associado à desinformação generalizada sobre saúde e alimentação saudável, mas também ao descrédito da propaganda de produtos alimentícios em geral.

Planejamento

Programa de Relações Públicas para reposicionamento do produto Margarina Becel

Como conclusão da Auditoria de Opinião, para reposicionar o produto adequadamente era necessário mudar o nível de conhecimento e discernimento das pessoas a fim de que elas pudessem compreender como e porque a margarina Becel poderia ser benéfica para a saúde e o bem estar. Para que isso ocorresse, somente informações corretas sobre todas as questões identificadas na auditoria poderiam promover essa mudança. Assim nasceu o Programa de Relações Públicas para reposicionamento da margarina Becel.

O programa contemplava uma campanha institucional de informação e conscientização dos públicos de interesse e da população leiga. Para isso, além do conceito inicial, foi criado o CIB – Centro de Informações Becel, que representaria uma instituição independente e com credibilidade para se tornar um canal de comunicação e disseminar a informação necessária para a orientação e educação de todos os envolvidos.

O CIB se configurava como um SAC dos dias atuais e atendia por carta, telefone e pessoalmente. Tinha, entretanto, como característica principal, a pró-atividade, com forte aproximação e intenso relacionamento com os públicos, gerando o estímulo necessário à participação em suas atividades. O CIB foi um dos primeiros serviços de atendimento oficiais e se tornou um marco na história dos SACs no Brasil.

Objetivos

• Informar e conscientizar os públicos prioritários sobre os aspectos ligados à saúde, à alimentação saudável e os fatores de riscos cardíacos.

• Criar maior confiabilidade entre Becel e seus públicos, utilizando principalmente o CIB - Centro de Informações Becel.

• Tornar o CIB uma entidade conhecida e com divulgação de publicações confiáveis ligadas às áreas de saúde e alimentação, destinada às classes médicas, para-médicas, de nutrição e a leigos.

• Transformar o CIB numa instituição de ação permanente criando e desenvolvendo atividades diretamente com os públicos de interesse.

Resumo das Atividades

Período completo do programa: de julho de 1980 a dezembro de 1986

Durante esse período as atividades de Relações Públicas se concentraram nos seguintes trabalhos:

CIB - Centro de Informações Becel

• Resposta às cartas e correspondências
• Atendimento pessoal de interessados
• Preparação de mailing com 3900 nomes iniciais e ampliação chegando ao final com mais de 14.500 nomes, incluindo Cardiologistas, Nutricionistas, Geriatras e Endocrinologistas.
• Envio freqüente de mala direta para todo o mailing, informando sobre as atividades do CIB, suas publicações e atividades.

Criação e Produção de folhetos

• Chico Sabido e Fala Coração
• Cardápios Becel uma Maneira Saborosa e Inteligente de se Alimentar
• Cardápios de Baixas Calorias: 1200, 1500 e 2000 calorias em conjunto com a FAPEC.
• Indicador de Colesterol e Gorduras Saturadas
• Prevenção das moléstias das coronárias
• O que é Stress?
• O que é forma física?
• O que é Hipertensão?
• A comparação das tendências na mortalidade por cardiopatias coronarianas na Austrália, Estados Unidos, Inglaterra, País de Gales, com referência aos três fatores de risco: hipertensão, fumo e dieta.
• Papel da Gordura, do Colesterol e da Dieta na Arteriosclerose e no metabolismo da lipoproteína.

Endosso do FAPEC - Fundo de Aperfeiçoamento e Pesquisa em Cardiologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia nas publicações do CIB.

Impressão e distribuição do trabalho "The Lipid Research Clinics Coronary Primary Prevention Trail Results" para diretorias das entidades médicas e paramédicas, diretores de faculdades de medicina e bibliotecas das faculdades de medicina e nutrição.

Inserção de separata na Revista ARS Curandi Cardiologia: "Dieta, Colesterol Sérico e Morte por Moléstia Coronariana", cujo tema foi escolhido por ser de grande interesse do público médico.

Cartas de Divulgação
As cartas de divulgação tinham a função de informar tudo sobre as atividades do CIB e eram emitidas periodicamente, sempre que alguma atividade ou serviço era lançado. Sempre que uma carta era distribuída ou uma notícia via imprensa divulgada, o movimento de cartas do CIB triplicava. Somente num ano o CIB teve um crescimento de 110.19%, atingindo mais de 15.000 pessoas a cada ano através da simples distribuição de suas publicações para os consumidores que com ele se correspondiam. Considerando que cada folheto, em média, é lido por 3 pessoas, pode-se projetar que mais de 45.000 pessoas anuais tiveram acesso às informações do CIB.

Cartas Especiais
As cartas consideradas especiais eram provenientes de consumidores que além dos folhetos normais do CIB solicitavam informações sobre saúde e alimentação saudável e as das empresas e instituições que procuravam o CIB para a distribuição de folhetos em maior número para funcionários, alunos, clientes, etc. Foram atendidas as seguintes instituições: CETESB, SABESP, Faculdade de Nutrição de Mogi das Cruzes, Igreja Batista da Vila Diva, Centro Estadual de Educação e Tecnologia Paula Souza, Colégio Dimensão e Departamento de Nutrição da Gessy Lever.

Stand Becel
Foi criado stand de Becel com o objetivo de distribuir as publicações do CIB ao público leigo. O stand percorreu os lugares mais movimentados da cidade como shoppings e aeroportos.

Congressos, Seminários e Eventos Médicos e de Nutrição
Presença em todos os eventos regionais e nacionais com implantação do stand do CIB, distribuição dos folhetos, projeção do audiovisual, registro dos participantes, degustação de Becel, distribuição de jornais diários (O Estado de S. Paulo, Folha de São Paulo, O Estado de Minas, Correio do Povo e Correio Braziliense). E indicação de palestrantes brasileiros e internacionais.

Campanhas em Comunidades

Semana do Nutricionista
O Conselho Regional de Nutricionistas – CRN, realizava semanas de palestras e debates em vários locais da cidade e, em todos os locais, o stand do CIB esteve poresente com distribuição de folders e cadastramento de interessados para receberem novas informações.

FAPEC vai aos Bairros (Fundo de Aperfeiçoamento e Pesquisa em Cardiologia)
Montagem de postos para verificação da pressão sangüínea e distribuição dos folhetos em vários bairros da cidade. O FAPEC vai aos Bairros foi uma das primeiras atividades de relacionamento e orientação direta com a população leiga e carente de informações adequadas. Ocorreu inicialmente com a montagem de postos para verificação de pressão sangüínea nos principais shoppings e aeroportos da capital, em parques da cidade, em postos dentro de ACMs, Hobby Sports, além de locais abertos em bairros afastados e favelas. Posteriormente, foi levado para praças de cidades do interior (Santos, Marília, Sorocaba e São José do Rio Preto) e em outros estados (Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará e Pernambuco).

Pela importância de seus resultados, o Programa se transformou na Semana do Coração, como campanha oficial da Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC e expandiu-se para todo o território brasileiro com a inclusão de outras atividades como consulta médica, teste de colesterol sangüíneo e orientação adequada para encaminhamento médico quando necessário. Na terceira versão da Semana do Coração, outras Sociedades Brasileiras foram estimuladas a organizarem seus próprios eventos, havendo uma expansão superior ao dobro de pessoas atingidas. Recebeu também o apoio da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica – SBPC na verificação do teor de colesterol sangüíneo dos participantes.

Programa "Conheça o seu Coração"
Organização de 40 palestras em locais diferentes, como ACM Zona Norte, ACM Lapa, ACM Guarulhos, Clube Banespa, Hebraica, nas sedes do Hobby Sports, Hospital Municipal Ignácio de Gouveia, Hospital do Servidor Público, Escola Cardeal Motta e em empresas como Sabesp, Cetesb, Shell e Philips. Esta atividade se repetiu também nas cidades de Curitiba e Porto Alegre. As palestras versavam sobre a prevenção dos fatores de risco das doenças cardíacas e normas para uma alimentação saudável, atingindo diretamente mais de 200 pessoas.

Feira do Coração
O FAPEC organizou uma feira na Marquise do Ibirapuera, que contou com a presença de Becel através do stand e distribuição de folhetos do CIB para os participantes do evento.

Programa Indústrias
O programa de Correspondências com Indústrias foi aprovado e executado durante o ano de 1986, sendo considerado como programa incluso nos trabalhos do CIB, mas não computado na contagem geral. Este programa consistiu no envio de carta personalizada à pessoa qualificada como responsável por eventos internos de aproximadamente 500 empresas de todo o Brasil, menos os Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apresentando os folhetos do CIB e oferecendo-os para distribuição entre os funcionários da empresa. O objetivo inicial era o de, em conjunto com este programa, relançar a Margarina Becel na região sul. Cancelado o relançamento e analisado o resultado inicial do programa decidiu-se pela continuidade até atingir o número previsto de 500 empresas.

Tratando-se de um tema de interesse geral e de orientação à população, o resultado inicial demonstrava uma grande aceitação por parte das indústrias. Após o envio de 80% das cartas para as indústrias o programa foi interrompido temporariamente, pois o número de empresas solicitando o material do CIB fez com que se esgotasse o estoque de folhetos exigindo da Van en Berg a reposição deles. As empresas solicitantes distribuíram os folhetos em eventos do tipo: "Semana de Prevenção de Acidentes", "Ciclo de Palestras para Funcionários" e ainda através do setor de Assistência Social e Departamento Médico. O Balanço geral do programa indica que foram distribuídos 114.602 folhetos no período de maio a dezembro de 1986.

Relações com a Imprensa
O público formado por jornalistas foi tratado da mesma forma como os demais públicos, pois além do noticiário natural decorrente das atividades do CIB havia a necessidade de levar informação de valor ao profissional, a fim de que ele se conscientizasse e pudesse atuar na área com mais conhecimento e discernimento para tratar dos assuntos com suas respectivas audiências.

Dentro do programa de relacionamento ocorreu também a organização de visitas de jornalistas às instalações da fábrica da Van Den Berg. Desde o início do programa, O CIB desenvolveu forte relacionamento com a imprensa, mantendo mensalmente a distribuição de notícias sobre as palestras promovidas por Becel e matérias gerais falando sobre alimentação saudável e equilibrada. Esta atividade obteve excelente retorno, colaborando para a manutenção da imagem da Becel, com a publicação dos releases em jornais de bairro (Gazeta de Pinheiros, Gazeta da Lapa, Jornal do Brooklin, Gazeta da Zona Norte e outros), em jornais de grande circulação (Diário Popular, Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo e Folha da Tarde). Como Também em jornais do interior (Tribuna de Santos, Jornal de Piracicaba, o Domingo de Campinas) e em jornais de outras capitais (O Estado de Minas, Zero Hora, O Globo e outros). Além de, pelo resultado do noticiário, alertar a população para os fatores de risco das doenças cardíacas e alimentação saudável.

Além da divulgação de todas as atividades realizadas pelo CIB houve também o direcionamento para entrevistas de renomados especialistas das instituições ligadas ao programa e médicos da empresa.

Coletiva de Imprensa - São Paulo

Dada a importância de uma pesquisa realizada durante o período nos Estados Unidos, a qual comprovou que o colesterol era realmente um fator de risco para as doenças cardíacas, foi preparada uma coletiva de imprensa que contou com as presenças de:

• Dr. Virgil Brown, Presidente do Comitê de Nutrição da American Heart Association
• Dra. Tânia Martinez, Chefe do Laboratório Central do Hospital São Paulo
• Dr. Renato Duprat, Diretor da Unicor

Nesta oportunidade foi distribuído também o reprint do trabalho "The Lipid Research Clinics Coronary Primary Prevention Trail Results", contando com a assinatura do CIB e do FAPEC.

Resultados Gerais

Após o diagnóstico da Auditoria de Opinião até a conclusão do projeto em 1986, o produto foi suportado apenas pela ação de Relações Públicas, não havendo nenhum investimento ou esforço em publicidade. Ao contrário do que esperavam alguns profissionais, o produto quadruplicou o volume de produção chegando a alcançar a marca de 40 toneladas de margarina produzida.

As vendas tiveram um crescimento exponencial superando as expectativas do fabricante e até mesmo dos mais pessimistas observadores do processo.

Este crescimento se deu pela reversão da imagem da margarina Becel, passando a ser considerada um produto adequado para ser introduzido nas dietas de alimentação saudável.

Pode-se observar em vários casos que médicos orientavam seus pacientes a introduzirem a margarina Becel no hábito alimentar, a fim de ajudá-los a controlar melhor suas taxas de colesterol.

Após 1986, o departamento de marketing que cuidava do produto resolveu voltar com a propaganda na mídia, retomando o ciclo normal do produto em produção em escala e promoção de vendas.

Esse foi o resultado do trabalho de Relações Públicas, projetando Becel como produto de alta qualidade que atende às necessidades do consumidor exigente quanto a uma alimentação e vida mais saudável.

Foi, dessa forma, que Relações Públicas resgatou o verdadeiro conceito do produto margarina Becel.


O Projeto Becel foi ganhador do Prêmio Opinião Pública de 1987 - POP/87, na categoria de Relações Públicas em apoio ao Marketing. Teve como integrantes da equipe coordenadora os Profissionais de Relações Públicas Vera Giangrande, Glória Suzemil e Flávio Schmidt.

Se você quiser conhecer o projeto completo poderá contatar o Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas – Conrerp 2ª Região - SP/PR, onde se encontra o case premiado.

Redes Sociais: tendência ou modismo?







Conrado Adolpho
Se pararmos para pensar na quantidade de sites "quentíssimos" que aparecem por dia, isso nos tomaria, provavelmente, o mês inteiro. Boa parte deles, contudo, some no limbo cibernético da mesma maneira como surgiu. O maior exemplo foi, sem dúvida, a rede social 3D, Second Life.

Para profissionais de marketing do mundo inteiro, tais ondas têm sido um verdadeiro pesadelo. A pergunta que ecoa nos departamentos de marketing "onde alocar no meio digital a verba de marketing da empresa?" parece ter uma nova resposta a cada dia, ou melhor, a cada tweet.

A mudança é a única certeza e constância. Empresas se debatem entre criar um blog, um perfil no Orkut ou uma conta no YouTube, mas nada disso parece fazer muito sentido quando visto em conjunto.

A grande onda atualmente são as redes sociais. O Orkut é um fenômeno no Brasil e até redes obscuras como meusparentes.com.br têm seus dias de glória. Empresas têm criado suas próprias redes sociais em sites 2.0 como o Ning e não parecem saber como lidar com elas de maneira lucrativa.

Redes Sociais são assunto no mundo inteiro e, no Brasil - país em que o consumidor passa mais tempo no Orkut do que no seu próprio e-mail - mais ainda.

No entanto, a dúvida de que as redes sociais são um modismo ou uma tendência parece não se resolver tão fácil. Diante disso, vamos refletir um pouco sobre o assunto.

Sempre abro minhas palestras com um slide que tem uma simples frase: "A Internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas". Seguindo tal raciocínio, podemos concluir que toda a Internet de outrora fora somente uma ponte para chegarmos ao caminho que trilhamos hoje - o do relacionamento online.

A Internet atualmente se transforma em um grande conjunto de "nós". Nos dois sentidos da palavra, é o tecido que envolve nossa existência das mais diversas maneiras, desde os e-mails corporativos que trocamos freneticamente durante o dia até a pergunta "Você tem Orkut?" que um adolescente faz para sua paquera à noite.

A Internet deixou de ser uma mídia para ser um ambiente. Uma brecha virtual no espaço-tempo na qual temos experiências de entretenimento, de troca e acúmulo de informações, de comunicação e de compras. Torna-se a cada dia uma maneira de exercermos cada vez mais a nossa própria cidadania, a nossa própria condição humana na era da informação e do conhecimento.

Sem as pessoas, porém, a Internet seria apenas uma cidade fantasma. Poderia ter seus prédios e edificações, porém, sem vida, se tornaria apenas um cadavérico conjunto de fios, hubs e sites que de nada serviriam. Sendo assim, a Internet acaba por ser o reflexo do próprio ser humano, desempenhando seus papéis sociais, sejam eles o profissional, o de pai, marido etc.

Penso que o conceito de redes sociais não é um modismo, é a própria essência da web. O que temos que analisar, porém, não é o conceito, mas sim, as ferramentas. Quando se fala em redes sociais, nos vêm à mente de forma imediata o Twitter e o Orkut.

A pergunta certa não é se o conceito de Redes Socias é um modismo ou não, mas sim, se o Twitter e o Orkut o são.

Redes Sociais dependem do chamado "efeito fila de balada" - estou lá porque todos estão. Demandam massa crítica para se tornarem de fato sociais, senão acabam não prosperando e morrem. São como inovações tecnológicas natimortas, que ficam ultrapassadas antes mesmo do lançamento por terem perdido o "timing", como aconteceu com a TV de plasma frente aos novos modelos de LCD.

O Orkut, campeão entre os brasileiros, já sofre a ameaça do Facebook. O Twitter, que ainda reina sozinho no universo dos microblogs, já percebe breves, tímidas e "betas" iniciativas de concorrentes como o Meme, do Yahoo, e o Yammer.

A Guerra das Redes Sociais está apenas começando, porém, as ferramentas ainda mudarão bastante durante os próximos anos. Estamos apenas no início da evolução tecnológica que possibilitará que a rede social esteja presente em toda a parte, desde nossas TVs digitais até nossos celulares.

Imagine poder escolher um filme em uma locadora virtual, como o que a Saraiva Digital já está fazendo, mas acessando uma enorme base de resenhas e opiniões sobre ele por meio da própria TV.

Imagine, antes de comprar um vinho no supermercado, poder ler o código de barras do produto por meio do seu celular e acessar opiniões e críticas sobre o seu aroma e safra.

Imagine cadastrar seu "perfil" no celular e, quando estiver andando em um local público em que outra pessoa com um perfil similar ao seu se aproximar, o celular dos dois vibrarem.

Prever o futuro atualmente é uma profissão muito perigosa e não vou me atrever a fazê-lo aqui, prefiro comentar sobre o presente. Tais exemplos são apenas uma prévia do que virá para o Brasil, mas que já acontece em outros países.

O conceito de redes sociais não irá acabar, portanto, se trata de uma tendência irrevogável devido ao simples fato de que tal conceito se confunde com a própria estrutura da internet. Suas ferramentas, sim, essas certamente se tornarão cada vez mais complexas para que fiquem cada vez mais simples e eficientes na sua função principal - tornar a web verdadeiramente social